Fernando Pessoa, o poeta por conhecer
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Múltiplo na obra, Fernando Pessoa cultivava a descrição na vida pública e pessoal. Talvez consigamos imaginar a silhueta alta e magra metida num fato escuro com o inseparável chapéu preto, a descer o Chiado. A distante figura icónica. Mais difícil será imaginar o mesmo homem a desafiar o ridículo nas suas brincadeiras preferidas. A fingir, por exemplo, que perdia um objeto no meio da rua ou a esbarrar em candeeiros, como um qualquer ator do cinema mudo. É uma outra faceta do Pessoa desconhecido que ajuda a completar a imagem misteriosa do poeta dos heterónimos. Recuperamos um depoimento da sobrinha-neta do escritor.

“Ele fingia que esbarrava nos candeeiros (…), imitava o íbis, o pássaro que o acompanhou toda a vida. Fazia cenas cómicas e burlescas no meio da rua, para desafiar o ridículo”.

É difícil de imaginar, mas “ele” é Fernando António Nogueira Pessoa, o reservado empregado de escritório que dedicou a existência a deixar palavras escritas em milhares de papéis. Dele se contam em família histórias como estas, que, de alguma forma, lhe dão uma dimensão mais real, aproximando-o dos simples mortais. Encontramos impressões do seu sentido de humor nos seus amigos heterónimos, nas plurais invenções literárias. O que ainda não sabíamos é que, em adulto, Pessoa brincava como se fosse criança.

São episódios menos conhecidos de uma biografia sempre incompleta, revelados em 1989 por Isabel Murteira França, sobrinha-neta do poeta.

Fernando Pessoa: poeta e escritor por vocação
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Ficha Técnica

  • Título: Biografar Pessoa (1.ª Parte)
  • Tipologia: Excerto de Documentário
  • Produção: RTP - Fotograma Filmes
  • Ano: 1988