Manuel Alegre: o livro de poesia que combateu a ditadura

Antes de publicados, os versos deste livro já andavam nas letras das músicas de intervenção. Recitados e cantados como hinos, símbolos de resistência contra o fascismo. Meio século depois, “Praça da Canção” continua a ser lido e a fazer sentido. Para Manuel Alegre, as palavras escritas na guerra colonial, na prisão e no exílio ganharam uma nova força.

Havia coisas que precisavam de ser ditas sobre o país onde não havia liberdade. Ditas de forma poética, um grito político, que não fosse panfletário. “Praça da Canção”, publicado em 1965, vai ser esse livro. Uma voz coletiva cantada em surdina contra o regime de Salazar. Foi perseguido pela PIDE, a polícia do regime, mais um proibido de circular. Mas os versos militavam de boca em boca, incendiários.

“Venho dizer-vos que não tenho medo,
a verdade é mais forte do que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo,
quando se traz a arma cheia de poemas.”

Manuel Alegre conhecia a ditadura, a censura, estava envolvido nas lutas estudantis. Tal como outros jovens da sua geração, obrigado a participar numa guerra que não queria. 

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Foi preso e os poemas começaram a sair da prisão de Luanda, clandestinos. Depois, veio o exílio em Paris e em Argel. Resistia com poesia, a querer mudar o mundo com palavras. Os versos tinham força e ritmo para serem musicados. O tom podia ser autobiográfico, mas todos se identificavam com as letras que José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília e tantos outros interpretavam. O livro destes versos revolucionários anunciavam a revolução esperada. Abril de 1974.

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Ficha Técnica

  • Título: Manuel Alegre — "Praça da Canção", livro de poemas publicado em 1975
  • Tipologia: Reportagem Telejornal
  • Autoria: Teresa Nicolau
  • Produção: RTP
  • Ano: 2015