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Os cárceres do Império

Apesar de pouco documentada, a história das atividades da polícia portuguesa portuguesa nas colónias, durante o Estado Novo, leva-nos até um mundo de atrocidades cometidas antes, mas sobretudo depois de começar a guerra no ultramar. Uma vasta rede de cadeias e campos de trabalho foram cárceres impiedosos para milhares que se opunham ao regime e os seus representantes nunca foram punidos.

Em 1961, com o início da guerra em Angola, a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) cria delegações, sub-delegações, postos, brigadas móveis e milícias próprias no ultramar. Ao contrário do que se passava na metróple, em África os agentes eram bem considerados e tidos como aliados pelos colonos. O objetivo era perseguir os nacionalistas e, para tal, dispunham de um vasto sistema de cadeias e de campos de trabalho, que mais não eram do que campos de concentração.

O Tarrafal, na ilha cabo-verdiana de Santiago, é talvez o cárcere mais conhecido das colónias. Numa primeira fase, até 1954, recebeu presos políticos portugueses e lá morreram alguns como Bento Gonçalves, secretário geral do PCP (Partido Comunista português). A partir de 1962 voltou a abrir portas para albergar sobretudo prisioneiros ligados às lutas pela autodeterminação, como Luandino Vieira ou Justino Pinto de Andrade.

Mas as grandes atrocidades dos carcereiros políticos estenderam-se a outras províncias ultramarinas. Casos como a cadeia da Machava, na capital moçambicana, que ficou conhecida como a mais sinistra das prisões ultramarinas, onde na secção da PIDE, a tortura era o dia a dia. Numa cela indivudal eram metidos 12 homens. Morria-se por asfixia. A barbárie nas cadeias era desenfreada e a matança haveria de passar incólume, em Portugal, nas páginas da justiça pós-revolução.

Além das cadeias, a polícia política criou os centros de recuperação. Caso de São Nicolau, em Angola, para onde foram levados guerrilheiros nacionalistas, misturados com populações deslocadas pelo conflito. Nestes campos havia prisão, zonas de trabalho e mesmo aldeias satélite. As condições eram desumanas: celas de 20 por 40 metros, com 200 pessoas, violações sexuais, vários tipos de tortura, sepultamentos de pessoas vivas, crucificações, fuzilamentos.

Ficha Técnica

  • Título: História a História África - Os Cárceres do Império, episódio 5
  • Tipo: Documentário
  • Autoria: Fernando Rosas
  • Produção: RTP / Garden Films
  • Ano: 2017

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