Painéis de São Vicente, obra-prima por decifrar
Mais de cinco séculos tem a obra maior da arte antiga portuguesa e esconde mistérios que especialistas e ensaístas não conseguem decifrar. Quem são as figuras retratadas, o que representam, qual é o significado do políptico e quem o mandou pintar são questões em aberto sobre a pintura atribuída a Nuno Gonçalves, produzida no período dos Descobrimentos. Apresentamos a história desta peça única da pintura europeia. Uma síntese a seguir aqui.
Foi por um acaso que a obra-prima de Nuno Gonçalves saiu, em 1882, do meio das velharias guardadas no convento de São Vicente de Fora. Os seis painéis que iriam mudar a história da arte portuguesa do século XV esperaram centenas de anos para revelar a originalidade do pintor régio de Afonso V e de uma escola de pintura, até aqui praticamente irrelevante.
O mítico Nuno Gonçalves
Feito o achado e o seu restauro, começaram especialistas, portugueses e estrangeiros, a dissecar a obra, na tentativa de encontrar pistas sobre as principais personagens retratadas em ato de dupla veneração a S. Vicente, padroeiro de Lisboa. Parece não haver dúvidas de que a cena monumental é uma fotografia coletiva da sociedade quatrocentista e “do espírito do Renascimento”.
Lisboa no Renascimento, a cidade global
As questões da autoria e da data de produção também parecem ultrapassadas. Mas outras perguntas ficam por responder, e são esses mistérios escondidos em camadas de óleo que fazem destes painéis um dos “objetos mais polémicos e fascinantes da arte portuguesa”. Podes observá-los nesta peça com o historiador Rui Afonso Santos e, com algum pormenor, na galeria que criámos em baixo. Mais de perto, só no Museu de Arte Antiga, em Lisboa.
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A aventura artística de Júlio Pomar
Ficha Técnica
- Título: Câmara Clara
- Tipologia: Excerto de Programa Cultural
- Autoria: Paula Moura Pinheiro
- Produção: RTP
- Ano: 2009