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Adolfo Casais Monteiro: militante da literatura e da liberdade

Proibido pela censura, o nome de Casais Monteiro foi apagado de Portugal. Durante décadas não pode publicar um livro ou assinar uma crítica literária. Forçado ao exílio pelo regime salazarista, continuou sempre a escrever a partir do Brasil.

Primeiro foi a poesia. Tinha 21 anos quando publicou “Confusão”, o livro dos poemas escritos durante a licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas que havia de terminar na Faculdade do Porto, sua cidade natal. Depois, foram todos os anos de uma vida em intensa produção literária repartida entre o ensaio, a crítica, a tradução de clássicos e a crónica – sobretudo política. O único romance, “Adolescentes”, escreveu-o aos 37 anos, quando ainda vivia em Portugal e era perseguido pela polícia de Salazar, que sete vezes o mandou para a prisão.

Filho único de uma família abastada, culta e liberal, Adolfo Casais Monteiro cresceu num ambiente onde se discutiam ideias, ideiais e ideologias e, sobretudo, que prezava os princípios democráticos. Essa consciência da liberdade como bem fundamental, leva-o na juventude a iniciar uma atividade política no movimento Renovação Democrática. Ao mesmo tempo, nesses anos 30, integra a direção da revista Presença, ao lado de José Régio e João Gaspar Simões, colabora em várias publicações literárias e começa uma carreira como professor do ensino secundário, tão dificultada pelo regime que se vê forçado ao exílio, em 1954.

No Brasil , o autor de Europa, poema de esperança e contra a violência escrito quando começaram a chegar a Portugal notícias dos horrores da Segunda Guerra Mundial, vai lecionar Teoria da Literatura em várias universidades e dar a conhecer o poeta que sempre admirara e estudara, Fernando Pessoa. Considerado uma das vozes mais representativas do modernismo em Portugal, Casais Monteiro (1908-1972) morreu na cidade de São Paulo sem nunca ter regressado à pátria.

 

 

Ficha Técnica

  • Título: Ler+ ler melhor - Adolfo Casais Monteiro
  • Tipo: Extrato de Magazine Cultural
  • Produção: Filbox produções
  • Ano: 2011

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