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António Nobre: a dimensão da prosa na poesia

Da pena de António Nobre saíram os versos mais tristes que se escreveram em Portugal. Na sua poesia encontramos influências de Almeida Garrett, de Júlio Dinis e, também, do simbolismo francês. Triste e melancólico, viveu na solidão a doença que o vitimou.

Para Fernando Pessoa, António Nobre  foi o primeiro grande poeta europeu. “Quando ele nasceu, todos nós nascemos”, disse o escritor dos múltiplos heterónimos. No norte do país, sobretudo aí, onde estão as suas origens e as paisagens dos seus poemas, existe ainda hoje um culto a este poeta, referência obrigatória na cultura portuguesa. Não foi sempre assim. A primeira edição do único livro publicado em vida, em 1893, chegou a valer-lhe insultos. Explicação? A sociedade de finais do séculos XIX não estaria preparada para o modernismo prenunciado em “Só”. Amargurado, o poeta comenta: ” Não devo ao meu país glorioso e lindo senão o acaso do nascimento. E com o parto do “Só” mais uma vez vi que a literatura portuguesa é uma Costa de África de penas, lutas, horrores”.

Filho de uma família da burguesia rural nortenha, passou grande parte da infância no Porto, onde nasceu em 1867 e onde irá morrer em 1900. Desses tempos guarda também memórias idílicas dos meses de Verão em Leça da Palmeira e no Freixo. Não obstante ter estudado em Paris, mantém viva essa “inscrição rural” na sua personalidade e nas suas composições, embora com um modelo inovador, como explica Mário Cláudio nesta peça. O escritor destaca a dimensão da prosa na poesia de António Nobre, poeta que – para ele -, só é comparável a Antero de Quental.

 

Ficha Técnica

  • Título: Ler+ ler melhor - Vida e obra de António Nobre
  • Tipo: Extrato de Magazine Cultural
  • Produção: Filbox produções
  • Ano: 2011

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