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Atribuição do Prémio Nobel da Medicina a Egas Moniz

Dedicou-se à atividade literária, à investigação, à política, mas seria na medicina que o seu trabalho mais se destacaria. Egas Moniz soube a 27 de outubro de 1949 que tinha recebido o Nobel da Medicina pelo seu trabalho no desenvolvimento de uma intervenção cirúrgica ao cérebro, chamada “leucotomia pré-frontal”.

No telegrama que nesse dia recebeu de Estocolmo, António Egas Moniz foi informado de que os professores do Karolinska Institute tinham decidido atribuir-lhe o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina, partilhado com o fisiologista suíço Walter Rudolf Hess.

O motivo invocado foi a sua descoberta do valor terapêutico de uma intervenção cirúrgica ao cérebro, chamada de “leucotomia pré-frontal”. Foi a primeira vez que um português recebeu um Prémio Nobel e permanece como caso único, até aos dias de hoje, no campo da ciência.

O galardão mereceu naturalmente uma grande atenção por parte da imprensa nacional, que enalteceu os méritos do médico português elevando-o à categoria de herói nacional. Na verdade, o prémio não foi uma completa novidade. O nome de Egas Moniz já tinha sido proposto por quatro vezes – em 1928, 33, 37 e 44 – e, no ano anterior Lisboa acolhera o I Congresso Internacional de Psicocirurgia, onde foi novamente proposto, desta vez por unanimidade e aclamação, o que constituiu um prelúdio para a atribuição do Prémio Nobel.

 

  • Quem era Egas Moniz?

António Egas Moniz era natural da região de Estarreja, onde nasceu em 1874 no seio de uma família rural. Sofreu desde muito novo de gota, que lhe causou malformações dos membros e o impediu de exercer pessoalmente a atividade pela qual recebeu o Nobel, ou seja, a neurocirurgia.

A sua vida dividiu-se entre a atividade literária, a investigação, a medicina e a política, na qual chegou a desempenhar um papel ativo e de alguma relevância. Em 1917 foi um dos fundadores do Partido Centrista, uma formação política católica e corporativista que teve vida efémera, e apoiou o governo de Sidónio Pais.

Após o assassinato deste, no ano seguinte, retirou-se definitivamente da política para se dedicar à investigação e à carreira médica. Um dos seus feitos mais importantes foi a invenção da angiografia cerebral, uma técnica inovadora de visualização dos vasos sanguíneos do cérebro. Morreu em Lisboa em 1955, aos 71 anos, e ficou para a História como o mais célebre médico português.

 

  • Qual foi exatamente o motivo da atribuição do Prémio Nobel?

Egas Moniz recebeu o Prémio Nobel pelos efeitos de uma operação cirúrgica ao cérebro que realizou em vários doentes e que, de acordo com a sua investigação, permitia aliviar substancialmente os sintomas mais agudos da doença mental.

Falamos, naturalmente, de doentes com graves perturbações mentais a quem a medicina pouco ou nada podia oferecer para aliviar o seu sofrimento. É, portanto, natural que tivesse sido recebida com entusiasmo por alguns meios clínicos da época.

A intervenção chamava-se “leucotomia pré-frontal” e tratava-se de um corte nos lóbulos pré-frontais do cérebro, que veio posteriormente dar origem à chamada “lobotomia”. Era, contudo, uma prática invasiva e causadora de danos irreversíveis, razão pela qual foi abandonada e substituída pelos chamados medicamentos psicofármacos.

Hoje é considerada como um passo importante no progresso da saúde mental, embora completamente obsoleta e inaceitável pelos padrões clínicos atuais.

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Atribuição do Prémio Nobel da Medicina a Egas Moniz
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Retrato do Prof. Egas Moniz (1932): por José Malhoa. Actualmente no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Portugal.

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