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Dieta Mediterrânica: o que é?

Esta dieta não serve para perder peso mas para ganhar saúde. E vai muito para além da simples ingestão de alimentos. Porque é também cultura e tradição de raízes milenares, partilhadas e promovidas por um mar comum que aproximou e influenciou os povos à sua volta. Do Mediterrâneo herdou o nome e o estilo de vida.

Há mais de mil anos os hábitos alimentares do homem do Mediterrâneo eram ditados pelos ciclos da natureza. O que a terra dava, era o que se comia. Vivia-se ou sobrevivia-se com pouco, a escassez dominava a vida nas paisagens do sul. Porém, os diferentes povos que aqui habitavam foram aprofundando a sua relação com o meio ambiente para garantir a subsistência quando o clima não ajudava.

Apoiados numa produção sustentável, aperfeiçoaram saberes e práticas, aprenderam a conservar alimentos sazonais através do sal e fumeiro, desenvolveram instrumentos e artefactos essenciais à agricultura. Do passado mais longínquo, guardaram a tradição de recolher produtos silvestres e selvagens, como espargos, cogumelos, beldroegas e caracóis, essenciais à cozinha mediterrânica, porque ajudavam a equilibrar uma dieta pobre em proteína animal. O desafio da escassez estava ganho na diversidade e com criatividade. Sem o saberem, estes povos começaram a construir um património fundamental para a humanidade, reconhecido em 2013 pela UNESCO, alguns séculos depois.

O segredo de Creta 

Transmitida de geração em geração, esta dieta é uma herança que importa recuperar, principalmente nas sociedades ocidentais onde os excessos alimentares são responsáveis pela morte de milhares de pessoas. Combater a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares e oncológicas com frugalidade e simplicidade parece ser uma fórmula eficaz e ao alcance de todos.

Afinal, quando em 1940  investigadores americanos da Fundação Rockefeller chegaram a Creta, nem queriam acreditar que os malnutridos habitantes da ilha fossem mais saudáveis e vivessem mais tempo do que os seus compatriotas que viviam na abundância. Mais tarde, já em sessenta, uma outra equipa liderada por Ancel Benjamin Keys conseguiu estabelecer a relação entre o padrão alimentar daquela população e o seu estado de saúde. Identificada como “dieta dos pobres”, percebeu-se que esta forma de comer merecia ser estudada, divulgada e praticada. Até ficar famosa.

Os ingredientes da Dieta

Comer apenas alimentos sazonais e saudáveis não é no entanto suficiente para caracterizar a dieta dos muitos países banhados pelo mar Mediterrâneo e daqueles que, como Portugal, recebem as influências climáticas que os fazem também pertencer ao grupo que perpetua esta cultura singular. O que os antepassados nos legaram foi ainda um modo de viver e de estar mediterrânico, se assim se pode dizer, em equilíbrio com a natureza, uma arte própria de confecionar os alimentos preservando-lhes os nutrientes e o sabor, de conviver à mesa com família e amigos. São todos estes elementos que constituem a díaita, palavra grega que, mais tarde, deu origem a dieta. Um estilo de vida com benefícios comprovados na saúde.

Pão, azeite, legumes, frutos frescos e secos, legumes, ervas aromáticas, um pouco de vinho às refeições, são alguns alimentos fundamentais na mesa mediterrânica. Apesar da introdução de novos produtos, a riqueza desta dieta estará sempre nas suas raízes.

Na reportagem em direto, Jorge Queiroz, diretor do Museu de Tavira e responsável técnico pelo processo de candidatura à UNESCO, contextualiza a história da dieta mediterrânica.

 

  • Temas: Cidadania, Saúde
  • Ensino: 2º Ciclo, 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Museu de Tavira - História Dieta Mediterrânica
  • Tipo: Reportagem em direto
  • Autoria: Sílvia Mestrinho
  • Produção: RTP
  • Ano: 2013

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