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O universo sensual de Marcelino Vespeira

Figura incontornável da pintura portuguesa contemporânea, Vespeira foi um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa e um dos nomes mais marcantes deste movimento. Após a revolução do 25 de abril, criou o símbolo do Movimento das Forças Armadas.

Nascido nas lezírias, lá para os lados do Samouco, em Alcochete, Marcelino quis seguir o pai e ser um pescador do Tejo, de mão firme a jogar a linha nas águas do rio que soube amar. Essa natureza, líquida e azul, haveria de o acompanhar numa outra faina feita de tintas e pincéis. A professora da escola primária gostou dos seus desenhos e aconselhou-o a estudar na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Assim fez. Mais tarde diria que a sua pintura era como o seu rio: “uma linha do horizonte calma e sem ondas, e depois o mergulhar,  o apanhar coisas lá em baixo…”

Antes de chegar à pintura ou de a pintura chegar a ele de uma forma definitiva, fez Belas Artes, estudou arquitetura, trabalhou em artes gráficas e em publicidade. Nos anos 40, está nas tertúlias do café Herminius,  ao lado de nomes que irão marcar o surrealismo português: António Pedro, Cruzeiro Seixas, Fernando de Azevedo, entre outros. Muito em breve, Marcelino Vespeira será um deles mas primeiro faz uma incursão pelo neorealismo. Inspirado por um poema de Paul Élouard, apresenta a obra «Apertado pela fome» na Exposição Geral de Artes Plásticas, em 1946. Apesar do reconhecimento da crítica, rapidamente adota uma linguagem e uma temática próprias do surrealismo.

Este período, durante o qual esteve ligado ao Grupo Surrealista de Lisboa, que ajudou a fundar, mostra-nos uma obra rica na variedade da paleta, cheia de cor e de formas sensuais, com uma evocação permanente do corpo feminino. Eclético, interessado em novas técnicas, Vespeira faz em 1954 uma curta passagem pelo abstracionismo geométrico. “Menino Imperativo” e “Máquina” são dois bons exemplos da sua originalidade. Contudo não se sente confortável no caminho das abstrações e voltará a deixar-se surpreender pela gramática surrealista que constrói com formas que “parecem flutuar nos quadros”, habitadas por ritmos que descobrira em Moçambique e pelo Jazz.

Defensor da liberdade, resistente ao regime fascista, Marcelino Vespeira (1925-2002) celebra o 25 de Abril participando em pinturas coletivas de murais e criando o símbolo do Movimento da Forças Armadas.

Considerado um dos pintores “mais sensualistas do século XX português”, a sua obra versátil foi homenageada pela Câmara Municipal de Lisboa com a criação do Prémio Vespeira, em 1985.

 

  • Temas: Artes, Pintura
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Grandes Quadros Portugueses
  • Tipo: Extrato de Programa
  • Produção: Companhia das Ideias
  • Ano: 2013

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