A memorável história do Real Convento de Mafra
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Obra megalómana de um rei, este convento que em 1717 começou a erguer-se em Mafra havia de ser peça central na obra de um escritor. D. João V queria um herdeiro e prometeu um convento, José Saramago queria fazer justiça ao povo que o construiu e escreveu um romance. Contamos a história de um dos mais importantes monumentos do barroco português, património nacional e mundial que a literatura imortalizou.

Começou por ser um projeto de pequenas dimensões, convento para albergar 13 frades com voto de pobreza, no entanto, o dinheiro do ouro e das riquezas do Brasil permitiram ambicionar um cenário imponente, que desse testemunho da promessa de D. João V. A rainha concebera, o rei conseguira o favor divino; quase um ano depois do nascimento da infanta Maria Bárbara o primeiro sinal da real gratidão é lançado à terra de Mafra, porque será ali, a cerca de 40 quilómetros da capital do reino, que irá nascer um dos monumentos mais importantes do barroco em Portugal.

A partir dessa primeira pedra lançada no dia 17 de novembro de 1717, a aldeia ficaria outra, transformada num enorme estaleiro onde iriam trabalhar cerca de 45 mil operários e sete mil soldados: já não era apenas um convento para franciscanos que estava a ser erguido, mas um grandioso e complexo edifício capaz de acomodar centenas de hóspedes – mais de 300 frades, toda a Família Real, membros da corte, da nobreza, do clero e respetivos séquitos. 

Aos poucos, a obra a cargo do arquiteto alemão Frederico Ludovice, foi sendo acrescentada, agigantada de acordo com a política de opulência do Magnânimo e de “uma nova dinastia que se quer afirmar”, como acaba de dizer o historiador Mário Pereira no vídeo em cima. Treze anos depois do início da construção, ficou a basílica pronta para o aniversário do rei, porém, seriam necessários muitos anos de trabalho até à sua execução principal estar concluída, em 1744.

O plano de D. João V é um legado que impressiona. O monumento impõe-se na paisagem, desde logo a imensa fachada com mais de 230 metros de comprimento. São os números de Mafra que nos confrontam com a sua grandeza: 4500 portas e janelas, 880 quartos e salas, torres com 62 metros de altura e as mais de duzentas toneladas dos sinos dos icónicos carrilhões que ainda tocam em dias de festa. Tudo é grande neste conjunto barroco, que inclui palácio, convento e basílica e uma tapada real, salienta Mário pereira nesta edição especial do Câmara Clara.

Quando visitou o Real Palácio pela primeira vez, José Saramago decidiu que o queria “meter dentro de um livro”. Foi o que fez. Para o escritor, aquela era a obra extravagante de um rei caprichoso, marcada pela opressão e exploração do povo. “Memorial do Convento” é leitura obrigatória, outra história deste monumento nacional, património mundial desde 2019. 

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Ficha Técnica

  • Título: O Convento de Mafra
  • Tipologia: Reportagem Telejornal
  • Autoria: Isabel Pereira Santos
  • Produção: RTP
  • Ano: 2001
  • Título - 2.º Vídeo: Câmara Clara - Edição Especial
  • Tipologia: Excerto de Programa Cultural
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP
  • Ano: 2010