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A arte barroca
A arte barroca
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A arte barroca situa-se cronologicamente entre o final do século XVI e meados do século XVIII. Apresenta um sentido geral de grandiosidade, recorrendo a geometrias variáveis que ajudavam à dinâmica e vitalidade das composições, potenciadas pela tensão e expressão emocional e pelo naturalismo das figuras. O recurso a materiais e técnicas luxuosas caracterizou a arte dos grandes estados absolutistas e da Igreja Católica, partilhando o propósito de afirmação de poder.

O contexto e as expressões artísticas para os quais remete a arte barroca são diversos, podendo situar-se cronologicamente entre o final do século XVI e meados do século XVIII. Estabelece-se assim uma marcação inicial em Itália, mais concretamente em Roma, com um vasto programa de intervenção urbana que será levado a cabo pela Igreja de Roma a partir de 1585, seguindo orientações saídas do Concílio de Trento.

A difusão do Barroco relaciona-se com o movimento de Contrarreforma católico, desenvolvendo-se a par da afirmação das monarquias absolutistas em França, Espanha ou Portugal. Mas sob aquela designação cabe igualmente a produção artística em Inglaterra e nos Países Baixos, penetrando ligeiramente mais tarde no sul da Europa Central, após a expulsão da Turquia Otomana da zona de Viena. Neste sentido, o Barroco não é apenas católico, difundindo-se rapidamente por toda a Europa protestante, do mesmo modo que não é só absolutista e monárquico, afirmando-se igualmente junto de uma burguesia há muito em ascensão.

A multiplicidade de expressões da arte barroca dificulta a sua caracterização geral. No entanto, é possível tentar abarcar uma estética barroca conferindo-lhe um sentido geral de grandiosidade e do amenizar da distinção entre as artes. Recorria a geometrias variáveis, que integravam traçados curvos ou ovais, ajudando à dinâmica e vitalidade das composições, potenciadas pela tensão e expressão emocional e pelo naturalismo das figuras. Estas qualidades ajudam a entender a adoção do termo Barroco, nome dado a uma pérola irregular, tal como estas práticas artísticas o pareciam face à regularidade, simetria e decoro da arte do Renascimento. Neste sentido, a arte barroca era entendida por parte dos seus contemporâneos como uma decadência do classicismo renascentista. Essa interpretação pejorativa da arte barroca foi no entanto progressivamente abandonada.

Acompanhando a cronologia da difusão do barroco, deve referir-se em primeiro lugar o programa propagandístico seguido pela Igreja Católica. Do ponto de vista arquitetónico, definem-se grandes praças, como a Praça de São Pedro, no Vaticano, desenhada por Lorenzo Bernini. A monumentalidade dos edifícios era animada por fachadas interiores e exteriores através de diferentes materiais e texturas, jogos de luz e alternância de espaços cheios e vazios. Veja-se o exemplo da cúpula da Igreja de São Carlos, de Francesco Borromini.

A escultura e a pintura eram coordenadas com o programa arquitetónico, ajudando a dinamizar os espaços, através da marcação de linhas de força do edifício de que o Baldaquino da Igreja de São Pedro, de Bernini, é um exemplo. Ou pelo prolongar dos espaços por via de uma pintura que recorria ao trompe l’oeil, num ilusionismo óptico que materializava uma sensação de infinitude divina, caso de Entrada de Santo Inácio no Paraíso, de Andrea Pozzo. O naturalismo das figuras, bem como o dramatismo das cenas, também presente na escultura, contribuía ainda para o propósito propagandístico da Contrarreforma.

A grandiosidade e o recurso a materiais e técnicas luxuosas caracterizou também a arquitetura, a pintura e a escultura dos grandes estados absolutistas europeus. Partilhavam assim o propósito da Igreja Católica de afirmação de poder, neste caso pela construção de grandes palácios. De entre estes destaca-se o Palácio de Versalhes, situado nos arredores de Paris, ainda que a regularidade da planta e das fachadas venha dar lugar à definição do Classicismo francês. Encomendado por Luís XIV, nele trabalharam Louis le Vau, arquiteto, André le Nôtre, arquiteto paisagista, e Charles le Brun, pintor. Para além do edifício palaciano, o complexo de Versalhes compreende ainda um jardim de grandes dimensões composto a partir de dois grandes eixos perpendiculares entre si, definidos por um grande canal aquático. Aí, tal como no edifício principal, as esculturas ajudam à organização e dramatização do espaço, o que é conseguido nos interiores do palácio sobretudo pela relação entre a pintura e o seu enquadramento arquitetónico.

O crescimento do mercado de pintura, alavancado por uma classe burguesa sobretudo mercantil, vai levar à definição de uma prática diferente da de pintores como Caravaggio, onde a composição vive sobretudo de acentuados jogos de claro e escuro, ou Peter Paul Rubens, com o recurso a composições de diagonais ou espirais acentuadas que aprofundam a tensão das figuras retratadas. Assim, surgem novos géneros, como a pintura de paisagem ou de vistas marítimas, onde a escala reduzida da figura humana é contraposta à imensidão do mundo natural. Aprofunda-se ainda a prática do retrato e auto-retrato, num registo realista no qual se destaca Rembrandt van Rijn.

Síntese:

  • A arte barroca situa-se entre finais do século XVI e o século XVIII.
  • A arte barroca era caracterizada pela grandiosidade, dinâmica e vitalidade das composições.
  • A grandiosidade e os materiais luxuosos da arte barroca tinham como propósito a afirmação do poder dos estados e da Igreja Católica.

Temas

Ficha Técnica

  • Área Pedagógica: Caracterizar a arte barroca nas suas principais expressões.
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação dos Professores de História/André Silveira
  • Ano: 2021