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O método experimental e o progresso científico no século XVII
O método experimental e o progresso científico no século XVII
Ensino:

No século XVII regista-se um progresso científico acentuado, decorrente do estabelecimento do método experimental e da dúvida metódica cartesiana. A consolidação deste progresso científico dependeu de diversas inovações técnicas e científicas, mas também de um espaço de diálogo que assumia diversas formas. Uma delas, a criação das Academias de Ciências, expressava a preocupação do Antigo Regime em intervir racionalmente sobre o real.

No século XVII regista-se um progresso científico de tal forma acentuado que é comum associá-lo a uma verdadeira revolução científica. Esta revolução foi sustentada na observação e posterior organização do mundo sob princípios comuns, encontrando em finais do século XVI, com o modelo heliocêntrico proposto por Nicolau Copérnico, um primeiro afloramento da noção de que também a Terra estaria sujeita a leis matemáticas universais. Mas é nas primeiras décadas do século XVII que se dão duas aportações decisivas para que se verificasse um desenvolvimento científico até aí sem precedentes: o estabelecimento do método experimental e a definição da dúvida metódica cartesiana.

Francis Bacon, do qual se destaca o texto Novum Organon, de 1620, recusou abertamente toda a autoridade sobre os estudos da ciência que não fosse sustentada numa comprovação que aliava o raciocínio lógico à observação e à experimentação. Assim, era necessário confirmar qualquer hipótese através da repetição de dado fenómeno. Isto é, definia-se um problema a partir de uma primeira observação, recriando-se de seguida experiências em laboratório ou confirmando os dados recolhidos em observatórios. Dessa experimentação retiravam-se conclusões que permitiam definir leis gerais aplicadas ao universo.

Este fundamento da ciência no método experimental vai ser aprofundado por René Descartes, nomeadamente no Discurso do Método, de 1637. A dúvida metódica cartesiana relaciona-se com a definição de um método que colocava todo o conhecimento em causa, até que se pudesse provar a sua verdade para lá da falibilidade dos sentidos. O penso, logo existo de Descartes assentava na ideia de que a existência não podia ser comprovada pelas sensações, o que demonstrava por exemplo através do sonho. Daí também que apenas a repetição de determinada experiência mediante as mesmas condições pudesse confirmar uma dada verdade. Neste sentido, era necessário decompor os problemas a resolver, levando a que um qualquer objeto de estudo fosse dividido no maior número de partes possível, tratando-se sistematicamente cada dificuldade que essa divisão apresentasse, até se estabelecer um conhecimento que se pudesse considerar verdadeiro. A matemática funcionaria como uma linguagem universal da ciência que permitia mensurar, quantificar e ordenar racionalmente o mundo.

A invenção da luneta e, logo, do telescópio, foi fulcral para o desenvolvimento da Física e da Astronomia. O primeiro modelo eficaz deve-se a Galileu Galilei, que comprova a teoria heliocêntrica e o movimento do planeta Terra, sendo desenvolvida ainda por Johannes Kepler, que vai definir três leis universais para o movimento dos astros. Estas leis serão fundamentais para a teoria da gravitação universal dos corpos de Isaac Newton.

O desenvolvimento da óptica levará ainda à invenção do microscópio, determinante para a Medicina e para a Biologia ao possibilitar a descoberta de micro-organismos ou dos glóbulos vermelhos. O que ajudou a aprofundar a descoberta do sistema circulatório por William Harvey.

A invenção do barómetro ou do termómetro, por seu lado, serão decisivos para o os estudos de Blaise Pascal no que dizia respeito à mecânica dos fluídos e à relação com espaços em vácuo. De resto, o seu trabalho em ciências matemáticas será igualmente fundamental para o desenvolvimento da máquina calculadora. Já o relógio de pêndulo, cujo sucessivo aprimoramento será determinante para a cartografia e a navegação em alto mar, foi inventado por Christiaan Huygens em 1654.

Por fim, na segunda metade do século XVIII, devem destacar-se os estudos de Antoine Lavoisier, a quem se deve a descoberta do oxigénio e da composição química  do ar e da água, bem como outras duas invenções cuja conjugação irá ser decisiva para a Revolução Industrial. Trata-se da máquina de fiar hidráulica, inventada por James Hargreaves, e da máquina a vapor, criada por James Watt em 1769.

A consolidação deste progresso científico dependeu também da criação de um espaço de diálogo que assumia diversas formas, numa discussão que se prolongava em jornais ou mesmo nos salões e nos cafés. Neste plano, é ainda decisiva a fundação das Academias de Ciências, destacando-se entre estas a Academia Real de Ciências de Paris (1666) e a Royal Society de Londres (1667), mas também de bibliotecas. O que denotava igualmente o modo como o próprio Estado considerava que este conhecimento do mundo era fundamental para uma boa governação. Esta consolidação é assim visível no final do Antigo Regime, que assumia como um dos seus objetivos a tentativa de intervir racionalmente sobre o real.

Síntese:

  • O progresso científico do século XVII assenta no estabelecimento do método experimental e da dúvida metódica cartesiana.
  • A consolidação deste progresso científico dependeu também da criação de espaços como as Academias de Ciências.
  • A ciência afirma-se de tal forma que se torna fundamental para o exercício do poder.

Temas

Ficha Técnica

  • Área Pedagógica: Reconhecer a importância do método experimental e da dúvida metódica cartesiana para o progresso científico ocorrido. Reconhecer a consolidação, nestes séculos, do desenvolvimento da ciência e da técnica, referindo os principais avanços científicos e os seus autores.
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação dos Professores de História/André Silveira
  • Ano: 2021
  • Imagem: A Ciência, Gravura, Rijksmuseum