Bartolomeu de Gusmão, o inventor da Passarola
Ensino:

Acreditava que podia voar e arriscou fazê-lo. Uns dizem que é lenda, outros que é verdade. Certo é que Bartolomeu de Gusmão foi um padre jesuíta com planos visionários para construir uma máquina voadora. No dia 8 de agosto de 1709, um pequeno balão de ar quente espantou cabeças reais, mas a grande Passarola capaz de levar gente dentro só subiu aos céus no romance de José Saramago.

O desejo do padre voador – como ficou conhecido na História – de construir uma verdadeira máquina “para se andar pelo ar” cumprido ficará nesta outra história que o escritor nos contou. Dotado de inteligência que a todos espantava, Bartolomeu Lourenço, nascido no Brasil por volta de 1685, apresentou o seu plano ao rei português que, entusiasmado com a ousadia de tal empreendimento, apadrinhou a ideia. O invento havia de ser construído, a experiência havia de ser feita, mas não é o pequeno balão de ar quente que se elevou perante os olhares de D. João V, do futuro Papa Inocêncio XIII e de toda a corte que estava na Sala das Embaixadas do Terreiro do Paço, que iria figurar na ficção de José Saramago. 

Nas páginas de Memorial do Convento o padre que perseguia o sonho de voar há de descobrir que as máquinas só se levantam acima das nossas cabeças se, além de bem imaginadas e bem construídas, nelas estiverem contidas propriedades que transcendam o racional. Para voar nos céus de Lisboa, de Mafra e da serra de Montejunto, esta Passarola precisa da sua ciência, da força física de Baltasar e dos misteriosos poderes de Blimunda que recolhe as vontades humanas “que hão de transformar-se em éter e ficar acima da Terra”.  

 “Agora, sim, podem partir. O padre Bartolomeu Lourenço olha o espaço celeste descoberto, sem nuvens, o sol que parece uma custódia de ouro, depois Baltasar que segura a corda com que se fecharão as velas, depois Blimunda, prouvera que adivinhassem os seus olhos o futuro, Encomendamo-nos ao Deus que houver, disse num murmúrio (…)” 

Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas
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No romance de Saramago, a máquina do Padre Voador afasta-se na direção do sol. Não é possível apresentar provas do que aconteceu naquele dia porque é coisa da ficção que habilmente o autor entrelaçou com acontecimentos reais. Sabemos, sim, que o verdadeiro balão que voou no Paço do rei era pequeno e de papel e que apesar de ter subido poucos metros acima do chão, foi demonstração suficiente para ser considerada precursora da história da aviação.

O primeiro passo desta aventura figura em documento setecentista, pedido de autorização do seu inventor ao Magnânimo, guardado entre os tesouros da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra. Diz-nos o professor Carlos Fiolhais que será este o registo da primeira patente a existir no mundo inteiro, o registo da vontade de um jovem visionário. 

“Memorial do Convento, a leitura de Miguel Real
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Ficha Técnica

  • Título: Grandes Livros - Memorial do Convento, de José Saramago
  • Tipologia: Extrato de Programa
  • Produção: Companhia de Ideias
  • Ano: 2011
  • Título - 2.º Vídeo - : Visita Guiada - Universidade de Coimbra
  • Tipologia: Excerto de Programa Cultural
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP2
  • Ano: 2014