O espelho na história
Ver, olhar, contemplar. São estes os significados de "speculum", a palavra latina da qual deriva espelho. Desde há muito que o Homem procurou ver-se, mas foram os vidreiros italianos, na Renascença, os primeiros a desenvolver vidros com qualidade suficiente para nos vermos sem distorções.
É possível que o reflexo na água tenha sido o primeiro espelho usado por homens e mulheres, mas a vontade de nos contemplarmos levou à tentativa de encontrar materiais mais práticos e estáveis para que isso pudesse acontecer.
Em diferentes culturas poliram-se cristais, obsidiana (um vidro vulcânico natural) e diferentes tipos de metais. O vidro terá sido utilizado pela primeira vez no século XI.
Mas é em Veneza, no século XVI, que os vidreiros da ilha de Murano desenvolveram espelhos que devolviam o reflexo perfeito. As técnicas utilizadas são tratadas como segredo de Estado e os espelhos daquela ilha veneziana tornam-se objeto de alto estatuto social.
No século XVII, é o rei de França, Luís XIV, que vai contribuir para elevar ainda mais a condição do espelho, construindo uma sala no seu novo palácio em Versalhes com dezenas deles, e de grande dimensão. Estes espaços tornaram-se obrigatórios nas residências das famílias nobres da Europa. No Palácio Nacional de Queluz podemos encontrar um “Salão dos Espelhos” (também conhecido como Salão dos Embaixadores) projetado pelo arquiteto francês Jean-Baptiste Robillon em 1757.
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Ficha Técnica
- Título: As Coisas em Volta: A Vida Misteriosa dos Objectos
- Tipologia: Extrato de programa
- Autoria: Inês Lamim/ Rita Rolex/ Rui Afonso Santos
- Produção: Maria & Mayer
- Ano: 2022