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O sonho de Martin Luther King e um discurso histórico

Teve a ousadia de acreditar numa América sem racismo, em defender os mesmos direitos para brancos e negros. Reverenciado por uns, odiado por outros, Martin Luther King era indiscutivelmente um líder carismático guiado por um sonho que ainda não se cumpriu, mas que continua a inspirar milhões de vítimas de discriminação racial. O mundo ficou a conhecê-lo no dia 28 de julho de 1963 quando proferiu o discurso que havia de ficar gravado na memória coletiva. I Have a Dream, quatro palavras que simbolizam uma vida a lutar pacificamente contra a injustiça.

Washington, 28 de agosto de 1963. Naquele dia marchava-se pelos direitos cívicos dos negros, tratados como cidadãos de segunda na América dos anos 60. Milhares de pessoas queriam mudar o mundo e Martin Luther King era o rosto dessa vontade. Eu tenho um sonho, disse o pastor na intervenção, diante dos manifestantes, “eu tenho um sonho de que os meus quatro filhos pequenos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de pele, mas pelo seu caráter”.

O sonho do carismático ativista tornou-se no símbolo de uma luta que continua a fazer-se agora, no século XXI. Nas últimas décadas conquistaram-me melhores condições de vida, mas a discriminação, a repressão, a injustiça não desapareceram juntamente com as casas de banho para brancos e negros ou os transportes públicos segregados, como o autocarro de Montgomery, em que Rosa Parks recusou ceder o seu lugar a um branco, acabando na prisão por desrespeitar a ordem pública. O gesto ajudou a mudar a história dos afroamericanos e do estado do Alabama onde, logo em 1955, Martin Luther King liderou o primeiro de muitos boicotes e protestos pacíficos.

Admirador de Mahatma Gandhi, acreditava que os ideais não se defendiam pela força das armas. Condenava a guerra do Vietnam e qualquer tipo de violência. Teve oportunidade de o dizer em poucas palavras numa breve passagem por Lisboa, quando a posição de Portugal nas colónias africanas recebia críticas dentro do próprio Conselho de Segurança das Nações Unidas.

King nunca quis menos do que um mundo melhor, onde não existisse racismo nem pobreza, onde os negros tivessem os mesmos direitos que os brancos, pudessem ter uma casa, salários dignos e frequentar escolas decentes. A luta do reverendo valeu-lhe em 1968 o Nobel da Paz “pela resistência não-violenta contra a segregação racial”. Quatro anos depois seria assassinado por um supremacista branco.

 

 

Ficha Técnica

  • Título: Nada Será Como Dante - Martin Luther King
  • Tipo: Extrato de Programa Cultural - Reportagem
  • Produção: até ao Fim do Mundo
  • Ano: 2020

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