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Tejo, um fundo de memórias

Do Tejo se partiu para a descoberta de boa parte do mundo e desses mundos vieram cargas que nunca chegaram. Naufragram às portas das docas de Lisboa. Um dos exemplos, com mais de 300 anos, são dois navios encontrados por mergulhadores que andavam pelas areias do fundo do rio à procura de navalheiras.

Foi em Outubro de 2017. Dois mariscadores encontraram os destroços de duas embarcações naufragadas às portas de Lisboa. Pedro Patacas e Sandro Pinto revolviam as areias do fundo do Tejo na zona da Cova do Vapor e não contavam com achados arqueológicos, quando o sonar da embarcação mostrou uma mancha compacta do que pareciam ser pedras. Mergulharam para tirarem as dúvidas e, a dez metros de profundidade, viram centenas de barris ainda todos alinhados como se estivessem no porão.

Para o arqueólogo Alexandre Monteiro, ouvido nesta reportagem, este é um caso com características únicas no mundo. Os peritos acreditam que no fundo do rio, entre Lisboa e Cascais, haja dezenas de navios naufragados e sabe-se lá com que riquezas intocadas. O Tejo, à boca da capital portuguesa, provocou, ao longo dos tempos, múltiplos acidentes. Águas sensíveis e sucessivos assoreamentos alteraram o seu leito, criando línguas de areia traiçoeiras.

O rio mais extenso da Península Ibérica foi desde sempre uma saída para o mundo e uma entrada do mundo em Portugal. No seu fundo repousam memórias de outros tempos. É a História preservada pelas águas do Tejo.

Ficha Técnica

  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Joana Machado
  • Produção: RTP
  • Ano: 2018

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