Um filme para Sophia e Jorge de Sena
Dois amigos falam de tudo o que a vida tem para se falar. Sophia e Jorge de Sena fizeram-no durante quase 20 anos. Trocaram inquietações, desabafos, confidências, intimidades, num diálogo mais ou menos regular, apesar da distância. Sophia, em morada certa; Sena, no exílio, por causa da sua oposição à ditadura. Depois de ler as cartas, Rita Azevedo Gomes teve vontade de as trazer mais para o mundo, de as fazer falar dentro de um filme. Parecia impossível, mas o desafio acabou por se cumprir numa narrativa invulgar.
As cartas trocadas entre Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, figuras maiores da literatura portuguesa, foram o ponto de partida para fazer um filme. Mas o sentimento maior que une este diálogo a dois é a essência da narrativa que Rita Azevedo Gomes construiu. Para dar testemunho da amizade cúmplice e intacta que tanto a comoveu durante a leitura. A esta conversa epistolar, sem pretensões literárias, juntou poesia. Mas como filmar cartas e poemas? Perante o desafio, deixou-se levar pelas palavras, multiplicou-as por vozes diferentes e por diferentes línguas. Como se Sophia e Sena estivessem a falar no presente, a contar pormenores das suas vidas privadas e do tempo político, cinzento e conturbado, que lhes foi dado viver.
Temas
Ficha Técnica
- Título: Literatura Aqui
- Tipologia: Extrato de Magazine Cultural - Reportagem
- Produção: até ao Fim do Mundo
- Ano: 2018