Uma elefanta na embaixada de D. Manuel ao Papa

A embaixada impressionou e foi notícia em toda a Europa. Sedas, porcelanas, riquezas desmesuradas, animais exóticos vindos do outro lado do mundo. Só o rei das especiarias, “O Venturoso”, podia exibir esta imponência. Para mostrar ao novo Papa o quão poderoso era e a grandeza do seu pequeno reino. Mas, de tudo o que enviou, a elefanta Hanno foi o que causou maior espanto. Voltamos a 12 de março de 1514 com o professor António Camões Gouveia a descrever pormenores desse desfile memorável nos dois vídeos que apresentamos.

Quando decidiu enviar uma embaixada a Roma, D. Manuel I queria surpreender Leão X. Levava novidades do Oriente para chamar a atenção deste curioso humanista que gostava de estudar animais, sobretudo os que nunca tinha visto. Habituado a conviver com o exotismo, o monarca português escolheu um monumental bicho, aquele que no seu entender mais impacto causaria e melhor serviria os seus intentos diplomáticos.

Durante o sumptuoso desfile, no meio de macacos, papagaios, de cavalos persas e até de um leopardo, uma elefanta branca, dirigida pelo seu tratador indiano, foi a grande vedeta do dia e deu espetáculo. Dizem os relatos que o paquiderme por três vezes encheu a tromba de água, e por três vezes aspergiu a varanda onde o Papa se encontrava, deixando-o deslumbrado.

Hanno, a elefanta do Ceilão, ficou a viver nos jardins do palácio do Papa. Mas, para D. Manuel, a imagem deste animal havia de acompanhá-lo na eternidade. O seu túmulo e os túmulos dos seus sucessores sepultados no Mosteiro dos Jerónimos têm na base esculturas de elefantes, símbolo do poder e da memória. A mensagem do rei Venturoso para a posteridade.

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Ficha Técnica

  • Título: Visita Guiada — Túmulos da Casa de Avis — Mosteiro dos Jerónimos
  • Tipologia: Excerto de Programa Cultural
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016