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D. Afonso Henriques e a transformação do condado em reino

D. Afonso Henriques e a transformação do condado em reino

Após a derrota de D. Teresa na Batalha de S. Mamede, em 1128, Afonso Henriques assumiu o controle do Condado e desenvolveu uma política de autonomia e alargamento do território. Em 1143, no Tratado de Zamora, é reconhecido rei por Afonso VII de Leão e Castela e em 1179, pela Santa Sé, através da Bula Manifestis Probatum. Em 1249, Afonso III concluiu as conquistas de territórios aos muçulmanos e em 1297 foi assinado Tratado de Alcanizes com Leão e Castela.

Após a morte de D. Henrique, D. Teresa prosseguiu a política de autonomia do condado iniciada por D. Henrique. Continuou uma política de povoamento e organização do espaço, e teve de gerir o perigo que apresentavam as investidas muçulmanas.

Por volta de 1127/28 surgiram as primeiras concessões régias à Ordem do Templo e, pouco depois, à Ordem do Hospital. Foram ordens religiosas e militares determinantes na defesa e alargamento do território portucalense. No entanto a relação de D. Teresa com o conde galego Fernão Peres de Trava e a crescente influência galega na administração e no exercício de funções não agradava à nobreza portucalense, que a considerava um perigo para a autonomia do condado, com a consequente subordinação à Galiza.

Estas fações, portucalenses e galegas, conduziram à associação dos nobres portucalenses a D. Afonso Henriques, o filho de D.  Teresa. Este assumiu-se como o líder do seu descontentamento e, em 1128, na batalha de S. Mamede, D. Afonso Henriques derrotou o exército da sua mãe assumindo o controlo do condado.

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Os objetivos de D. Afonso Henriques

D. Afonso Henriques tinha como objetivos a total independência do condado face ao rei de Leão e Castela D. Afonso VII, seu primo, e o alargamento de território para sul, aos muçulmanos. Tal como os seus pais, a ocupação dos territórios nas linhas de fronteira, a concessão de forais a povoações – com o objetivo de fixar populações e povoar territórios -, a construção de castelos para vigia, defesa e proteção de acessos fundamentais para sul, alicerçou e consolidou uma política de expansão e alargamento territorial.

A partir daquela linha de defesa, desencadearam-se ações militares aos territórios controlados pelos muçulmanos, mas também leonês/castelhano.  Neste contexto, em 1139, venceu a Batalha de Ourique contra os muçulmanos e passou a designar-se rei. No contexto dos contratos feudo-vassálicos, proclamar-se rei era considerado um ato de desobediência e originou conflitos político-militares com o reino de Leão e Castela.

Em 1143, assinou-se o Tratado de Zamora, no qual Afonso VII concedeu o título de rei a Afonso Henriques, com a condição de o aceitar como imperador da Hispânia. Apesar do compromisso, Afonso Henriques nunca cumpriu a sua parte no Tratado. Para além deste reconhecimento por parte de Afonso VII, era fundamental que a Santa Sé também reconhecesse o reino de Portugal e Afonso Henriques como o seu rei. Tal facto só veio a acontecer em 1179, com o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum. Afonso Henriques não só se destacou nas campanhas militares como também no apoio que recebeu do clero.

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A dificuldade em consolidar todas as conquistas a sul da linha do Tejo fez com que esses territórios fossem, nos reinados sequentes, palco de combates, com avanços e recuos na linha fronteiriça entre cristãos e muçulmanos.  As três investidas almóadas que tiveram lugar no século XII abalaram seriamente o território Portucalense e o auxílio que os cruzados prestaram na conquista dos territórios a sul foi determinante para a sua defesa e ocupação.

 

O reino de Portugal e a dinâmica política e militar da península ibérica

O processo de Reconquista da península Ibérica aos muçulmanos foi marcado por inúmeras alianças entre os diferentes reinos cristãos e entre cristãos e muçulmanos. O clima de conflituosidade no território peninsular não se limitou a muçulmanos contra cristãos.

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Frequentemente os reinos e condados cristãos entravam em conflito territorial e político entre si, evidenciando-se as tensões que as obrigações vassálicas implicavam. Foi necessário estabelecer alianças políticas, através de atos diplomáticos que resultavam, inúmeras vezes, em casamentos entre as diferentes casas reais. O reino português não foi exceção. Para garantir a autonomia e o reforço de poder estabeleceram-se alianças, com os reinos de Aragão, Leão e Castela, mas também com diferentes taifas muçulmanas.

 

Avanços e recuos no processo da Reconquista

O século XII foi marcadamente um século de guerras. No século seguinte o espaço considerado português configurou-se definitivamente, reforçando a sua autonomia política. O processo de Reconquista em território português terminou no reinado de D. Afonso III, em 1249, com a conquista do Algarve aos muçulmanos.

Somente em 1297 foi possível estabelecer a paz com Leão e Castela, no reinado de D. Dinis, com a assinatura do Tratado de Alcanizes. O alargamento das fronteiras do reino de Portugal foi conseguido através de campanhas militares e da ação diplomática. O processo de Reconquista terminou no século XIII.

Síntese

  • Afonso Henriques vence a Batalha de Ourique em 1139 e proclama-se rei dos portugueses.
  • Em 1143 D. Afonso VII coroado Imperador da Galiza, Leão e Castela, reconhece Afonso Henriques como rei de Portugal, no Tratado de Zamora. Afonso Henriques comprometeu-se a reconhecer Afonso VII como Imperador da Hispânia.
  • Em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconheceu Portugal como Reino e Afonso Henriques o seu rei.
  • As conquistas aos muçulmanos terminaram no século XIII com D. Afonso III, com a tomada de Silves e Faro, e em 1297 foi assinado o Tratado de Alcanices entre Portugal e o reino de Leão e Castela

Temas

Ficha Técnica

  • Título: Relacionar a oposição da nobreza do condado portucalense à ação política de D. Teresa com a subida ao poder de D. Afonso Henriques. Caracterizar a ação política e militar de D. Afonso Henriques. Conhecer os documentos que formalizaram o reino de Portugal. Sintetizar as principais etapas territoriais da formação do reino de Portugal.
  • Autoria: Associação dos Professores de História/ Marta Torres
  • Produção: RTP/ Associação dos Professores de História
  • Ano: 2021
  • Imagem: Detalhe do quadro "Batalha de Ourique", de António de Holanda (