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A Frente Popular em França e Espanha
A Frente Popular em França e Espanha
Ensino:

No ano de 1936 houve eleições em França e em Espanha, que puseram frente a frente coligações de esquerda e coligações de direita. Em qualquer um dos países saíram vitoriosas as chamadas “Frentes Populares”, que reuniam diversas facções de esquerda. Uma vez no poder, colocaram em marcha programas reformistas que previam a intervenção do Estado na economia e a adoção de legislação laboral progressista. No entanto, os resultados foram muito limitados.

A Frente Popular em França

Na década de 1930, a França era um país polarizado ideologicamente. Nas eleições de 1936, a Frente Popular, que agregava movimentos de esquerda, os partidos socialista, radical e comunista, conseguiu 376 lugares no parlamento. Já a Frente Nacional, de direita, obteve 222 lugares.

Na sequência da vitória eleitoral, a Frente Popular formou governo, sob a liderança de Léon Blum, um intelectual judeu, e integrava ministros do Partido Socialista e do Partido Radical, incluindo três mulheres. Era a primeira vez que, em França, o cargo de primeiro-ministro era ocupado por um socialista e judeu. Embora o Partido Comunista tivesse dado o seu apoio ao governo, optou por não assumir qualquer pasta.

No seu programa, a Frente Popular havia prometido um amplo conjunto de obras públicas e pensões de reforma e desemprego. Uma vez no poder, o governo de Blum aprovou um amplo leque de legislação social, que incluía o direito à sindicalização, o aumento dos salários em 15%, a jornada laboral de 40 horas semanais ou 15 dias de férias pagas por ano. Garantiu ainda o direito ao trabalho às mulheres.

Em julho de 1936 eclodiu uma sublevação militar em Marrocos, que depois se propagou a várias guarnições militares na Espanha peninsular, nas ilhas e colónias espanholas.

O governo ilegalizou as organizações paramilitares, reformou o Banco de França, sem no entanto o nacionalizar, e procedeu à nacionalização da indústria de armamento. Alargou a escolaridade obrigatória até aos 14 anos e criou o Ministério dos Desportos e dos Lazer.

Os partidos que integraram a Frente Popular eram ideologicamente muito diferentes e essas diferenças rapidamente se fizeram sentir e provocaram um impasse.

Antes do governo tomar posse, uma vaga de greves tinha varrido a França. As grandes empresas, com receio da bolchevização do país, retiraram os seus investimentos. Para conseguirem colmatar o custo da redução da jornada laboral, foi necessário aumentar os preços, desencadeando uma inflação que arruinou o poder de compra e as poupanças dos franceses. As medidas não conduziram ao desejado aumento da produtividade. Depois de o Senado ter recusado conceder poderes excecionais ao governo, Blum demitiu-se do cargo de primeiro-ministro.

 

A Frente Popular em Espanha

Também a Espanha estava politicamente dividida. Nas eleições de 1936, a Frente Popular conseguiu 4,7 milhões de votos e a Frente Nacional obteve cerca de 4,4 milhões. A direita gozava do apoio das elites tradicionais, dos grandes latifundiários, dos industriais, da Igreja Católica e do Exército. Opunham-se à luta de classes e ao separatismo, defendendo uma única pátria. A esquerda, por outro lado, atraía e mobilizava o operariado.

O governo que saiu das eleições tentou introduzir várias reformas, como a reforma agrária e a adoção de legislação laboral progressista. No entanto, apenas os republicanos integraram o governo, o que o deixou vulnerável aos ataques da direita, mas também da esquerda.

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Entre março e julho de 1936 foram expropriados mais de meio milhão de hectares de terras para instalar famílias de camponeses. O ímpeto reformista não foi, no entanto, suficiente para acabar com o movimento grevista, que continuou muito intenso e ao qual se juntou a divisão das esquerdas. A violência nas ruas era cada vez mais intensa, com as milícias das esquerdas e dos sindicados a defrontarem-se com os esquadrões da facção contrarrevolucionária.

Em julho de 1936 eclodiu uma sublevação militar em Marrocos, que depois se propagou a várias guarnições militares na Espanha peninsular, nas ilhas e colónias espanholas. O golpe desencadeou uma violenta guerra civil. A rebelião militar encontrou a oposição de uma pequena parte do exército leal ao regime republicano e de milícias operárias armadas.

Síntese:

  • Na década de 1930, a França era um país polarizado ideologicamente.
  • O governo de Blum aprovou um amplo leque de legislação social. Também a Espanha estava politicamente dividida.
  • Também a Espanha estava politicamente dividida.
  • Em julho de 1936 eclodiu uma sublevação militar em Marrocos, que depois se propagou a várias guarnições militares na Espanha peninsular.

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Ficha Técnica

  • Área Pedagógica: Referir medidas tomadas pelos governos de Frente Popular em França e Espanha. Referir os resultados limitados de medidas de intervenção do Estado na economia e nas relações socio laborais adotadas em alguns países na década de 30.
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação dos Professores de História/ Cláudia Ninhos
  • Ano: 2021
  • Imagem: Léon Blum discursa no Congresso do Partido Socialista Francês em 1932