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O ambiente do Homem em mudança
Alterações climáticas
Alterações climáticas
Ensino:

As alterações climáticas ou, recentemente designadas, mudanças climáticas, traduzem-se na modificação das características do clima, em resultado das ações humanas responsáveis pela intensificação de fenómenos naturais extremos. Com causas e consequências devidamente identificadas, é urgente adotar medidas de mitigação e prevenção que permitam às populações estarem preparadas para responderem atempada e eficazmente aos perigos a que estão sujeitas.

A atmosfera é a camada gasosa que envolve a Terra e é a sua composição, estrutura e funções que permitem o equilíbrio deste subsistema e a vida tal como a conhecemos. A sua composição (Fig.1) é, na baixa atmosfera, de 78% de azoto, 21% de oxigénio, 0,93% de árgon e uma pequena percentagem de outros gases, entre os quais se inclui o dióxido de carbono (CO2) que detém um papel preponderante na retenção de energia calorífica gerada pela Terra.

Fig.1 – Constituintes da Atmosfera. APROFGEO

O efeito de estufa é então um processo natural que possibilita a vida no planeta, pois apenas parte da energia solar chega à superfície terrestre e dessa, parte é irradiada de volta à atmosfera e absorvida pelos gases de efeito de estufa (Fig.2), processo sem o qual a temperatura média da Terra seria muito inferior.

Fig.2 – Síntese esquemática do processo natural do Efeito de Estufa. LIFEADAPTATE.EU

Contudo, as atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, têm vindo a alterar a composição e funções da atmosfera, com destaque para o aumento da concentração de GEEs (gases de efeito estufa) – o dióxido de carbono, o metano, o óxido nitroso, o dióxido de enxofre, os clorofluorcarbonetos e os hidrofluorcarbonetos (Fig.3).

Fig.3 – Emissões de GEEs entre 1975 e 2020. NOAA

Este aumento origina a intensificação do efeito de estufa e, consequentemente, o aumento da temperatura média da Terra (Fig.4 – animação da NASA com as alterações das temperaturas de 1880 a 2017), assistindo-se a uma mudança nos padrões climáticos a um ritmo mais intenso e acelerado. Segundo dados da Organização Meteorológica Mundial, cada década tem sido mais quente do que a anterior.

As alterações climáticas sempre existiram e o planeta tem estado sujeito a eras glaciares, intercaladas por períodos mais quentes. Atualmente, atravessamos um período interglaciar já previsivelmente mais quente. O problema está na rapidez das alterações, associada ao aumento da concentração de GEE na atmosfera, a curto prazo, principalmente após a Revolução Industrial e, de forma mais acentuada, nos últimos 50 anos. As mudanças ocorrem ao nível da temperatura, da intensidade e frequência da precipitação e da ocorrência de situações meteorológicas extremas, como furacões e outras tempestades.

As consequências são gravosas para a vida selvagem, com destruição de habitats e perda de biodiversidade, para a economia e sociedade, com particular destaque para a saúde humana. Os alertas da comunidade científica não têm sido suficientes e os tempos de resposta a nível político e de governação tendem a condicionar ações mais efetivas na mitigação deste processo em curso.

Um dos impactes ambientais mais significativos da crise climática é a subida do nível médio das águas do mar decorrente do degelo das calotes polares e da expansão das águas devido ao seu aquecimento. No Ártico, por exemplo, deu-se uma redução de quase 40% na extensão de gelo (Fig.5).

Fig.5 – Variação da extensão de gelo no Ártico entre 1975 e 2020. GLOBALCHANGE.GOV

Quanto à subida do nível médio das águas do mar, os dados apontam para um aumento de cerca de 20 cm desde o início dos registos (Fig.6), embora essa subida não seja uniforme em todas as áreas costeiras devido à interferência de fatores como a elevação terrestre, marés, correntes e ventos.

Fig.6 – Variação no nível médio do mar entre 1880 e 2020. GLOBALCHANGE.GOV

Esta situação torna-se tanto mais complexa quanto o quantitativo populacional e o número de cidades localizadas em áreas costeiras abaixo dos 10m de altitude, agravando de forma significativa os riscos associados como os de tempestades mais intensas, de inundações, da contaminação e salinização da água doce, do aumento da erosão costeira, do desaparecimento de pequenas ilhas e destruição de infraestruturas importantes, com claros custos económicos, sociais e ambientais.

As consequências diretas e indiretas das mudanças climáticas obrigarão cada vez mais pessoas a procurar locais mais seguros para viver, aumentando o número de refugiados climáticos, situação que carece ainda de negociações internacionais e de reconhecimento desse estatuto no contexto do direito internacional. Estima-se que o problema afetará cerca de 20% da população mundial (Fig.7 – animação da NASA sobre os efeitos da subida do nível dos oceanos), agravando as tensões sociais, racismo e xenofobia, bem como o aumento da pressão sobre os escassos recursos do Planeta.

Com efeito, é necessário adotar medidas de mitigação para a redução considerável das emissões de GEEs, através da alteração do paradigma energético, com a substituição progressiva dos combustíveis fósseis por energias renováveis, a poupança e eficiência energética e a redução do consumo.

Mas há processos irreversíveis, pelo que há medidas de adaptação que devem ser implementadas, de imediato, recorrendo à construção de infraestruturas mais resistentes, apostando no desenvolvimento sustentável e no ordenamento da orla costeira, abrangendo os riscos e apontando soluções mais eficazes e de vanguarda na salvaguarda das populações e dos habitats mais frágeis e ameaçados (Fig.8).

Fig.8 – Síntese esquemática relativa à mitigação e adaptação. LIFEADAPTATE.EU

SÍNTESE

  • As mudanças climáticas são hoje uma das principais preocupações da Humanidade e decorrem das alterações ao subsistema Atmosfera, na sua composição, estrutura e funções.
  • O aumento das emissões de GEEs está na base do aquecimento global, com consequências em termos de subida do nível médio das águas do mar e nos padrões climáticos.
  • Os impactes ambientais, sociais e económicos decorrentes da subida do nível médio do mar são dramáticos para uma parte da população mundial, originando migrações climáticas decorrentes da perda ou destruição dos territórios de origem.
  • Perante os desafios emergentes, devem ser adotadas medidas de mitigação e de adaptação, assentes na promoção do desenvolvimento sustentável e num correto e eficaz ordenamento do território, principalmente nas áreas costeiras em risco.

Temas

Ficha Técnica

  • Área Pedagógica: Ambiente e Sociedade - Os recursos naturais, a radiação solar e os recursos hídricos / Portugal na União Europeia e a valorização ambiental
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação de Professores de Geografia
  • Ano: 2021
  • Imagem: Composição fotográfica alusiva ao aquecimento do planeta, PIXABAY