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As atividades económicas das cidades-estado gregas
As atividades económicas das cidades-estado gregas
Ensino:

As principais atividades económicas da maioria das cidades estado gregas relacionavam-se com a agricultura, mas existia também uma atividade comercial intensa, particularmente o comércio marítimo. Em meados do século V a. C. Atenas caracterizava-se por ter uma forte economia baseada no comércio marítimo, na produção artesanal e na exploração mineira. O instrumento de troca privilegiado era a moeda ateniense, o dracma.

As atividades económicas da maioria das polis gregas assentavam na agricultura. No entanto, o artesanato e o comércio eram outras das atividades desenvolvidas. O facto de os gregos se terem expandido pelo Mediterrâneo, com a fundação de colónias, possibilitou um intenso tráfico marítimo e comercial com a Grécia.

A intensa atividade comercial desenvolvida também se fez sentir na Península Ibérica. A chegada dos gregos à costa da península Ibérica provenientes de Masalia (Marselha), uma colónia grega fundada pelos focenses da Asia Menor, levou à ocupação do espaço comercial antes dominado pelos fenícios, no começo do século VI a. C., deixando uma marca indelével na região costeira da atual Catalunha e costa levantina.

O intercâmbio comercial não se limitou à costa este da península, tendo-se verificado contactos e trocas ao longo da costa peninsular. Se não diretamente, pelo menos há registo de produtos gregos na península Ibérica, sinal de trocas entre as populações indígenas e os comerciantes que realizavam as rotas do Atlântico. Das principais colónias destacam-se Rodhas (Rosas) e Emporiom (Ampúrias) que, posteriormente se converteram em cidades com características urbanas. Outras como as feitorias comerciais destacam-se Hemeroskopeion (Denia) e Akra Leuke (Alicante).

A presença dos gregos teve um grande impacto nas populações indígenas, ao nível da cunhagem de moeda, e introdução de novas culturas, novas técnicas agrícolas, indústrias de salga de peixe, fabrico de cerâmica e tecidos. Deste modo, as atividades económicas nas quais assentava a economia dos gregos, repercutiu-se por todo o espaço mediterrânico e também chegou, direta ou indiretamente, à costa atlântica. A influência grega, evidenciada pela arqueologia, não se limitou a um espaço do Mediterrâneo com o qual os gregos contactavam regularmente. A fundação das suas colónias incentivou e incrementou atividades económicas não só relacionadas com a agricultura mas também com o comércio, o artesanato e com a exploração de recursos naturais, no caso particular da península Ibérica, metais preciosos.

Atenas tornou-se num dos principais centros comerciais do Mediterrâneo, sendo o Pireu o principal local de entrada e saída de produtos. As principais culturas desenvolvidas eram os cereais, a oliveira, a vinha e a figueira. A criação de gado como as cabras, as ovelhas e o porco, complementavam as atividades desenvolvidas. As montanhas eram propicias à produção de mel. Nas zonas urbanas, as oficinas eram os locais de produção da olaria, da carpintaria, vestuário e calçado assim como da metalurgia. A produção de vasos de cerâmica, armas de ferro e bronze, estátuas e navios requeria matéria prima. Exploravam rochas ornamentais como o mármore e extraíam do subsolo prata e chumbo.

A partir do século V a. C. o porto de Pireu ganhou um dinamismo comercial que possibilitou a Atenas o seu desenvolvimento comercial e consequentemente, político e cultural. Através do Porto de Pireu, exportava-se o vinho, o azeite, e produtos artesanais. Neste sentido desenvolveu uma intensa atividade comercial com as regiões do Mediterrâneo. Importavam trigo, minério, madeira e produtos de luxo. Atenas tornou-se, deste modo na cidade estado mais importante em meados do século V a. C. Esta expansão comercial implicava formas de pagamento que facilitassem a atividade comercial.

As trocas diretas foram substituídas pela utilização da moeda como forma de pagamento de serviços e de produtos, possibilitando a acumulação de riqueza. A moeda ateniense, o dracma, foi-se impondo nas transações comerciais, como meio privilegiado de troca no Mediterrâneo. Nesta intensa atividade comercial era fundamental a existência de uma frota de navios capazes de realizar o transporte dos produtos o que levou ao desenvolvimento da construção naval.

No início do século V a. C.  o Império Persa pretendeu controlar e dominar o mar Egeu. Algumas das cidades helénicas aliaram-se contra esta ameaça – criando a Liga de Delos -, tendo Atenas assumido a sua liderança aproveitando o poder da sua frota naval que foi a chave da vitória. Quando se criou a Liga de Delos os atenienses assumiram o seu controlo, impuseram impostos elevados sobre as cidades aliadas e deslocaram o Tesouro da Liga de Delos para Atenas. Esse dinheiro foi utilizado nas obras na Acrópole, destruída pelos persas, e para custear o sistema político que então vigorava em Atenas: a democracia. Assumiram assim a hegemonia na região do Mediterrâneo oriental, tornando-se uma potência comercial e criando um Império marítimo, assente numa economia comercial, marítima e monetária.

Síntese:

  • A principal atividade económica das pólis gregas relacionava-se com a agricultura.
  • As relações comerciais estabelecidas com as colónias espalhadas ao longo do Mediterrâneo desenvolveram a exploração de recursos naturais, incentivaram a produção artesanal e as trocas comercias
  • O comércio marítimo desenvolveu-se no mundo grego, afirmando-se Atenas como uma cidade comercial e marítima.

Temas

Ficha Técnica

  • Título: Identificar as atividades económicas da maioria das cidades-estado (destacar o caso ateniense – comercial, marítima e monetária).
  • Autoria: Associação De Professores de História/ Marta Torres
  • Produção: RTP/ Associação de Professores de História
  • Imagem: Sátiros e Silenos. Marsyas