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Contamos a história da animação em Portugal

A imagem do artigo pertence à animação portuguesa mais premiada de sempre. As marionetas de "A Suspeita", contam uma história que demorou três anos a fazer. Muitos mais foram precisos para que o género fosse considerado arte. A aventura começou em 1923.

Criar a ilusão do movimento, pôr bonecos a mexer e a contar histórias. No tempo presente, com os computadores à mão, parece simples animar uma imagem, mas no final do século XIX não era fácil fazer um desenho saltar do papel. Antes do cinema chegar, o primeiro a consegui-lo foi o francês Émile Reynaud, que aperfeiçoou os seus inventos até ao “théatre optique”, um aparelho que projetava imagens num ecrã, e que foi oficialmente apresentado no Museu Grévin, em Paris, a 28 de outubro de 1892. É esta a data que desde 2002 celebra o Dia Mundial da Animação.

Em Portugal, a animação arrancou uns anos depois, em 1923, com um curtíssimo filme, “O pesadelo de António Maria”, que revemos no início deste documentário. Os pioneiros portugueses pouco ou nada sabiam de desenhos animados; tiveram de experimentar técnicas, falhar e tentar outra vez. A produção nacional foi crescendo muito lentamente, os desenhos serviam sobretudo para fazer publicidade a produtos de beleza, automóveis e pesticidas. Todos menos a Família Pituxa que, nos anos sessenta, mandou milhares de meninos e meninas para a cama. Dormir? Só depois dos desenhos!

Mas foi a paixão de um português pelos desenhos animados e pelas histórias aos quadradinhos a  projetar esta arte, por cá praticamente desconhecida. Pela mão de Vasco Granja, entraram nas casas portuguesas animações americanas, polacas, húngaras e muitas outras. A presença televisiva constante durante 16 anos em mais de mil programas, despertou e moldou o gosto de várias gerações.

Nos anos noventa a produção em Portugal ganhou vitalidade e visibilidade. Apesar dos reduzidos apoios e da dificuldade na internacionalização e comercialização dos filmes, surgiram novos realizadores, produtores, animadores, que conquistaram créditos além-fronteiras, como Abi Feijó, Humberto Santana, José Miguel Ribeiro e Regina Pessoa, entre outros.

Hoje, a contrariar preconceitos de quem o via como arte menor, o cinema animado alargou horizontes e entrou numa nova fase de crescimento. A começar nas tecnologias de software, que permitem produzir mais depressa, a baixo custo e, mais relevante ainda, na formação: escolas e cursos de animação multiplicaram-se por todo o país, têm surgido projetos, caso da Academia RTP, que apoia e fornece meios para os jovens desenvolverem ideias: as melhores, como “Vidal e a História de Portugal”, são exibidas nos canais da televisão pública.

Desenhos sobre o papel ou no computador, animação de objetos, bonecos de cartão e plasticina: as técnicas são muitas e combinadas para nos dar histórias fantásticas, em versão curta ou longa, para todas as idades. O único ingrediente que não pode nunca faltar é a imaginação.

 

 

Ficha Técnica

  • Título: A Arte de Animar Portugal
  • Tipo: Documentário
  • Produção: Academia RTP
  • Ano: 2012

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