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Até ao Fim, a escolha pela morte

Esta é uma dura viagem até ao final da vida de Luís Marques. Paraplégico há 55 anos e dependente de um ventilador, percorreu de carro mais de dois mil quilómetros para poder por fim à vida por sua livre escolha, através de suicídio assistido, na Suíça. Concretizou o que lhe foi negado em Portugal: o direito à autodeterminação de escolher a morte como um direito humano e não uma determinação do Estado. Nas últimas palavras lembra que há muito esperava uma "morte de cabeça levantada, com dignidade."

Ter o direito de escolher o momento de morrer sob pressupostos obrigatórios como os de doença incurável e sofrimento atroz, além da capacidade mental de ser o próprio doente e mais ninguém a tomar essa decisão, é dos temas mais fraturantes da atualidade. Os Países Baixos e a Bélgica foram os primeiros países europeus a legalizar, quer a eutanásia, quer a morte assistida, no início do século XXI. Em mais meia dúzia de países ocidentais a legalização está ainda em fase de processo, como é o caso de Portugal.

Quem defende estas práticas, classifica-as como ações misericordiosas e de dignidade humana, enquanto os que as condenam veem na eutanásia e na morte assistida, por vezes, ações homicidas. Questões de caráter ético, moral, religioso, jurídico, médico provocam as mais diversas opiniões, o que tem levado a demorados processos de legalização ou mesmo rejeição por parte de muitos países em abordar sequer a possibilidade de tais medidas como um direito humano.

Esclareçam-se as diferenças: a eutanásia é realizada por um profissional de saúde. Pode ser ativa, fazendo o médico algo para abreviar a morte, ou passiva, em que o clínico pura e simplesmente deixa o doente morrer não lhe prolongando artificialmente a vida. A morte assistida é um suicídio levado a cabo com a ajuda de outra pessoa. Não tem de ser na presença de um médico, pois é o próprio que comete o ato, mas há intervenção médica com a disponibilização de informações ou dos meios necessários para cometer o ato final, incluindo fornecimento de fármacos para o efeito.

Este último caso foi a opção de Luís Marques, que teve de ir morrer à Suiça, em agosto de 2020. Para tal teve a ajuda da Dignitas, uma organização que providencia precisamente esta opção. Este português, além de paraplégico desde criança, tinha cancro, diabetes e só 10 por cento de capacidade respiratória. A mãe ajudou-o a viver uma vida para a qual tentou sempre, mas sem sucesso, encontrar um sentido. Esperou a morte dela para provocar a sua.

Ficha Técnica

  • Título: Linha da Frente - Até ao Fim, temporada 22 - episódio 20
  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Paula Rebelo / Pedro Miguel Gomes / Marcelo Sá Carvalho / Paulo Guimarães / Tiago Vitória
  • Produção: RTP
  • Ano: 2020

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