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Comida ao lixo

O mundo desperdiça um terço dos alimentos produzidos. Na cadeia alimentar há fugas desde o produtor ao consumidor. Só em Portugal, cerca de um milhão de toneladas de comida em bom estado acaba, todos os anos, no lixo. O desperdício alimentar é um problema ambiental, económico e ético, para o qual todos contribuem, do produtor ao consumidor. Por cada alimento deitado fora vão recursos naturais para o lixo, como água, solo e energia. Os prazos de validade são das maiores fontes de confusão entre os consumidores.

À hora de fecho da maioria dos supermercados, os caixotes do lixo são colocados no passeio e dentro deles escondem-se quilos e quilos de produtos alimentares em bom estado: pão, bolos, fruta, vegetais, iogurtes, peixe, carne. O mundo produz mais alimentos do que consome. Segundo as Nações Unidas, um terço dos produtos alimentares produzidos em todo o mundo vai todos os anos parar ao lixo.

Um exemplo português que apresentamos nesta reportagem: por semana, um campo na região de Loures produz cerca de 500 quilos de feijão-verde, mas 200 quilos nunca chegam a entrar no mercado convencional, porque não têm o tamanho ou a aparência considerada normal. O “concurso de beleza vegetal” deixa na terra toneladas de fruta e legumes em todo o país e em todo o mundo.

Outro problema do mercado prende-se com as datas para consumo. Na indicação de fim da vida dos produtos há dois mundos distintos: “consumir de preferência antes de” ou “consumir até” uma determinada data. No primeiro caso, não está em causa a segurança alimentar e os produtos podem ser consumidos após essa data. Já na segunda situação, esses sim não podem ser consumidos depois do dia indicado. São sobretudo os frescos, como leite, iogurtes, carne ou peixe.

Mas os maiores responsáveis pelo desperdício alimentar são os consumidores. “Todos deitamos fora um bocadinho”, garante Iva Pires. A autora do Perda (2012), o único estudo sobre desperdício em Portugal, propõe uma multiplicação: “Se cada família deixar apodrecer uma pera ou uma maçã, como somos quatro milhões de famílias, nessa semana estamos a falar de 4 milhões de peças de fruta desperdiçadas”.

As grandes superfícies tentam minimizar as perdas. Colocam etiquetas com depreciação de preço, reaproveitam alguns alimentos e, sobretudo, doam produtos danificados ou em fim de vida. Milhares de alimentos são distribuídos todos os dias por instituições de apoio social em todo o país. No que diz respeito à comida confecionada, associações como a Dariacordar e a Refood recolhem e oferecem refeições a quem mais precisa.

No mundo digital, várias aplicações como a To Good to Go e a Phenix, oferecem excedentes de restaurantes a preços reduzidos e também podemos encontrar um supermercado diferente: a Good After, que vende alimentos com embalagens descontinuadas, perto do fim de validade ou mesmo fora de prazo.

Ficha Técnica

  • Título: Linha da Frente - Comida ao lixo
  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Marta Jorge / Paulo Jorge / Pedro Pessoa
  • Produção: RTP
  • Ano: 2020

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