“Divina Comédia”, a peregrinação de Dante ao mundo dos mortos

O tempo da narração deste extraordinário poema era outro, muito diferente e distante do nosso. A obra de Dante Alighieri tem já 700 anos, mas a viagem do poeta italiano aos três reinos que o mundo cristão acreditava terem existência real, continua a ser um aviso para toda a humanidade. Como se trilhasse o caminho da salvação, o poeta mostra-nos os tormentos do Inferno, as expiações do Purgatório e a plenitude do Paraíso, onde é guiado pela amada e musa Beatriz Portinari. Estamos numa Comédia em 33 atos, que também podia ser tragédia, porque o jovem autor protagonista da radical experiência, não poupa palavras para criticar a injustiça, a corrupção, a ganância, ou se quisermos, a maldade dos homens: de papas a imperadores, ninguém escapa à reflexão moral tecida nesta longa composição, inovadora na métrica, na rima e na língua, escrita em vulgar florentino em vez do latim das elites. 

O Inferno, por Botticelli
O Purgatório, por Botticelli
O Paraíso, por Botticelli

No século XV as visões fantásticas de Dante inspiraram o pintor Sandro Botticelli a produzir uma série de ilustrações para uma edição que nunca chegou a ser publicada, porém a trilogia do escritor da República de Florença foi, ao longo dos séculos, traduzida e retraduzida em vários países e línguas. A Comédia, a que anos depois Boccaccio chamou “divina”, é um livro que pode ser visto como um novo testamento, sublinha Alexandra Lucas Coelho neste episódio do programa “Volta ao Mundo em Cem Livros”.

Dante e a Divina Comédia
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Dante e a Divina Comédia

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Ficha Técnica

  • Título: Volta ao Mundo em Cem Livros
  • Tipologia: Programa Literário
  • Autoria: Alexandra Lucas Coelho
  • Produção: RTP
  • Ano: 2022