José Saramago: “um romance meu cresce como uma árvore”
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Publica o primeiro romance em 1947, mas só mais tarde começa a viver da escrita. "Levantado do Chão" é o livro decisivo em que "define um estilo." Saramago continuou "porque tinha alguma coisa para escrever". E, acrescentamos nós, um Nobel para receber.

De serralheiro a funcionário público, José Saramago foi somando profissões, como a de crítico literário na revista “Seara Nova”, cronista no jornal “A Capital”, editor literário e tradutor de dezenas de livros. Entretanto, escrevia espaçadamente, publicava romance e poesia embora sem intenção de fazer carreira literária. Porém, a técnica e a densidade da sua escrita estavam amadurecidas: de “Levantado do Chão” a “Memorial de Convento”, Saramago descobriu que tinha um nome e leitores fiéis. Nunca conseguiu explicar o que de concreto aconteceu para aos 50 anos se transformar num escritor por inteiro, “foram as circunstâncias da vida”, diz nesta entrevista a José Rodrigues dos Santos, realizada um ano antes da sua morte.

Nas histórias que escreve, Saramago recusa o guião normal, constrói imaginários fantásticos, enredos inverosímeis, grandes metáforas para refletir sobre o mundo atual, a defender causas e a esgrimir convicções. Inventor e provocador, trabalha os textos sem travessões, sem maiúsculas, sem pontos finais, apenas vírgulas a marcar pausas. A intenção é imprimir ao discurso escrito o ritmo do discurso oral. Para o autor, o estilo é o que conta mais num romance, “setenta por cento é linguagem”, afirma. E explica que no processo criativo, sabe muito bem como começar e como acabar a história, “um início e um fim muito claros”, o resto aparece palavra a palavra, “a crescer como as árvores, até ao limite”.

Nobel da Literatura português, partilha a definição de “bom romance” de Kafka: “deve ser uma acha capaz de romper o mar gelado da nossa consciência”, se não for assim, acrescenta, não vale a pena.

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Para quem nunca sonhou grandes futuros, José Saramago deixou 46 livros, traduzidos em 42 línguas de 53 países. E, entre todos os prémios, a mais alta distinção que um escritor pode receber.  “Sempre chegamos ao sítio onde nos esperam” a frase na capa do penúltimo livro “A Viagem do Elefante”, traduz a vida do autor universal da língua portuguesa, neto de agricultores sem terra.

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Ficha Técnica

  • Título: Conversas de Escritores
  • Tipologia: Extrato de Entrevista
  • Autoria: José Rodrigues dos Santos
  • Produção: RTP
  • Ano: 2009