O altar portátil da batalha de Aljubarrota
Ensino:

O que nos pode contar um retábulo de prata dourada da batalha que reafirmou a nacionalidade portuguesa? Obra emblemática da ourivesaria medieval, a origem do Tríptico da Natividade é um mistério envolto na vitória de Aljubarrota.

A morte do rei D. Fernando, em 1383, deixou vazio o trono português e criou uma crise nacional que durou cerca de dois anos. A única filha legítima, D. Beatriz, estava casada com o rei de Castela e, apesar das cláusulas matrimoniais garantirem a separação dos reinos, D. João I, o castelhano, invadiu Portugal, tão convicto estava de que o poder lhe pertencia. Ao mesmo tempo, o governo liderado pela rainha viúva, D. Leonor Teles, influenciada pelo conde de Andeiro, um nobre galego, seu amante, granjeava forte oposição.

O país estava politicamente dividido, a economia de rastos, as classes sociais alinhavam com quem favorecesse as suas aspirações e, muitas localidades de norte a sul, obedeciam já a Castela. O cerco espanhol fechava-se e o destino da pátria era uma incógnita.

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Porém, há um sentimento nacionalista que resiste e se fortalece na figura do mestre de Avis, que muitos serviços prestara na defesa do reino, com o apoio de D. Nuno Álvares Pereira e de um grupo fiel de partidários. Será ele aclamado rei nas cortes de Coimbra, e terá ainda muitas batalhas pela frente: a última em Aljubarrota.

As tropas portuguesas andavam pelos 10 mil homens, os castelhanos dobravam o número e sentiam-se confiantes na vitória. O monarca espanhol fazia-se transportar com a sua baixela e a sua capela, com peças emblemáticas do património castelhano. Uma delas pode muito bem ter sido um altar portátil em prata dourada, o Tríptico da Natividade, que ficou perdido no campo da batalha ganha pelos portugueses em trinta minutos.

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Este altar, peça magnífica de ourivesaria, seria o melhor troféu de uma vitória que reafirmava a independência portuguesa perante o mundo. O soberano português irá oferecê-lo em sinal de agradecimento a Nossa Senhora da Oliveira, de quem era devoto. Ou não terá sido assim? Outra tese defende que o retábulo de prata dourada foi feito com os despojos da batalha de 14 de agosto de 1385.

Certo é que a peça que representa o nascimento de Cristo, única em Portugal, sobreviveu mais de 600 anos para nos recordar Aljubarrota. Vamos conhecer os detalhes desta história numa visita ao museu de Alberto Sampaio, em Guimarães, com a jornalista Paula Moura Pinheiro e o historiador João Soalheiro.

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Ficha Técnica

  • Título: Visita Guiada - Museu de Alberto Sampaio, Guimarães
  • Tipologia: Programa
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP2
  • Ano: 2014