O ponto de Portalegre que mudou a tapeçaria
Confundem-se com pinturas, mas são tapeçarias. Coloridas, vibrantes, complexas. Concebidas e tecidas nos teares de Portalegre, há mais de setenta anos que estão entre as melhores do mundo. Um caso de sucesso que começou quando um homem decidiu inovar e apostar tudo num ponto genuinamente português. Cristina Pais conta-nos esta história a partir do museu onde é preservada.
Longe vão os tempos em que a visão de Guy Fino parecia não ter futuro. Acreditava ser possível produzir tapeçarias de grande qualidade no mesmo país que mantinha a tradição de as encomendar na França e na Flandres. O próprio Marquês de Pombal tentara incentivar a manufatura através da criação de duas fábricas. Nenhuma vingou. Duzentos anos depois, a história seria tecida com sucesso numa cidade do norte do Alentejo.
As primeiras experiências começaram em 1946. Guy Fino vai para o tear com uma técnica inovadora: um ponto inventado por Manuel do Carmo Peixeiro que irá mudar para sempre a tapeçaria portuguesa. As peças ganham expressividade artística, uma nova vida. Os pintores mais exigentes ficam convencidos, querem ver obras suas replicadas em finos fios de lã. A manufatura de Portalegre estava lançada e o negócio cresceu com as encomendas do Estado Novo. Portugal passou a ser um produtor de referência à escala global, hoje as tapeçarias têm uma exportação limitada. No museu de Portalegre que homenageia o fundador desta arte, são elas que decoram as paredes e preservam uma história. Património da terra e do país.
Ficha Técnica
- Título: Visita Guiada - Tapeçarias de Portalegre
- Tipologia: Excerto de Programa Cultural
- Autoria: Paula Moura Pinheiro
- Produção: RTP
- Ano: 2015
