Sá de Miranda, o poeta inovador do Renascimento
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Fez uma longa viagem ao epicentro artístico da Europa e mudou a lírica portuguesa de matriz medieval. Francisco Sá de Miranda, o filho do cónego de Coimbra, formado em Leis e Humanidades, assimilou as inovações do Renascimento italiano, aperfeiçoou o "dolce stil nuovo", os versos grandes do decassílabo e o engenhoso soneto. Porta-voz deste estilo novo, nunca deixou de fazer cantigas, esparsas e vilancetes, as trovas antigas que, durante o século XVI, ainda animavam os serões palacianos. Quando abandonou a corte de D. João III, o poeta e dramaturgo retirou-se para a quinta da Tapada, em Amares, ainda hoje da família Sá de Miranda. É na terra onde viveu os últimos anos que o Centro de Estudos Mirandinos tem portas abertas. Para divulgar um clássico da poesia.

Compunha segundo o modelo antigo do verso curto da redondilha, mas não hesitou em trabalhar novas métricas para expressar sentimentos e pensamentos, mais condizentes com os ideais do mundo renascentista e da cultura humanista. Francisco Sá de Miranda aprendeu o soneto em Itália e trouxe-o para a literatura portuguesa, praticando-o com mestria, sendo o seu primeiro impulsionador e influenciador.

Escrever 14 versos de dez sílabas passou a ser um desafio tentado por muitos poetas, o mais notável de todos foi seguramente Camões, que, ainda no mesmo século XVI, o tratou de forma notável na sua lírica e épica.

O soneto resiste ao tempo, continua a ter seguidores; já a obra do seu primeiro cultor, essa, corre o risco do esquecimento. Por isso é importante revisitar os seus versos com mais de 500 anos e voltar a Amares, no distrito de Braga, a terra onde escolheu viver.

“Quando Eu, Senhora, em Vós os Olhos Ponho”, de Sá de Miranda
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“Quando Eu, Senhora, em Vós os Olhos Ponho”, de Sá de Miranda

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Ficha Técnica

  • Título: Nada Será Como Dante
  • Tipologia: Extrato de Programa Cultural - Reportagem
  • Produção: até ao Fim do Mundo
  • Ano: 2021