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O fim da Grande Guerra e o início de uma crise
O fim da Grande Guerra e o início de uma crise
Ensino:

Quando a Grande Guerra terminou, em 1918, as economias dos países beligerantes estavam numa situação caótica, atingidas por uma hiperinflação e por níveis de desemprego elevados. As transformações na economia, na sociedade, na política e nas mentalidades foram colossais. Os EUA, cujo território saiu intacto do conflito, emergiram como a principal potência mundial, enquanto a Europa perdia a sua hegemonia.

A Grande Guerra inaugurou verdadeiramente o início do século XX. Foi um conflito total, que se estendeu a todos os continentes. A utilização de armas modernas permitiu matar de uma forma massiva e impessoal. No entanto, a destruição não atingiu todos os países da mesma forma.

A França foi um dos países mais devastados. Foram destruídos edifícios, pontes e até mesmo a rede ferroviária. Os bens essenciais, as matérias primas e os alimentos, que escasseavam, custavam centenas ou milhares de vezes mais do que em 1914. Por outro lado, a desmobilização dos exércitos e a crise económica fez disparar os níveis de desemprego.

Reconverter uma economia que fora organizada para manter o esforço de guerra não foi uma tarefa fácil. O padrão-ouro e o livre comércio tinham sido suspensos. Os países tinham-se endividado para enfrentarem as necessidade orçamentais que uma guerra de longa duração exigia. Ao mesmo tempo que pediam dinheiro emprestado, os governos emitiram papel-moeda, desencadeando uma inflação sem precedentes. As moedas dos vários países sofreram uma desvalorização e os preços dos bens aumentaram a um ritmo intenso, sem que os salários pudessem acompanhar esse crescimento.

Os vencedores esperavam que o pagamento das reparações, por parte da Alemanha e dos outros derrotados, ajudasse a saldar as dívidas que tinham contraído. No entanto, a questão das reparações transformou-se num foco de tensão entre as potências.

 

O impacto social da crise e as consequências políticas

A grave crise financeira do pós-guerra veio agravar as desigualdades sociais. As poupanças foram duramente atingidas pela desvalorização das moedas. Os movimentos populacionais constituíram outro problema gravíssimo que atingiu a Europa.

Muitos europeus, desempregados, tiveram de emigrar. Alguns fizeram-no por motivos políticos, o que gerou um fluxo inédito de refugiados, alguns deles apátridas. A guerra também acelerou o êxodo rural e o consequente crescimento das cidades, onde os camponeses procuraram emprego, mas onde não existiam infraestruturas habitacionais necessárias para acolher os novos habitantes.

Os derrotados tiveram ainda de lidar com a ocupação, as enormes reparações impostas pelos vencedores, a perda de territórios, a desorganização da economia, a queda de regimes e a instabilidade política que se seguiu. As novas fronteiras criadas pelos tratados de paz geraram novas tensões, conflitos e ódios étnicos. A Rússia, que assinara uma paz separada com a Alemanha, viu-se a braços com uma guerra civil, da qual resultaram milhões de refugiados.

Os anos 20 ficaram marcados pela polarização das sociedades e pela violência política. As massas emergiram na política com o alargamento progressivo do direito de voto, que em alguns países também foi concedido às mulheres. Entre as classes médias e os proprietários e industriais, cresceu o receio da bolchevização.

Os sindicatos expandiram-se e aumentaram o poder de negociação do operariado. Sob a influência da vitória bolchevique na Rússia, o socialismo ganhou força. Nestes anos foram conseguidas algumas conquistas sociais, como o subsídio de desemprego, a redução da jornada de trabalho ou a construção de bairros para a classe operária.

 

A emergência dos EUA

Os EUA foram os principais beneficiados pela guerra. O seu território permaneceu incólume durante o conflito e, na década de 20, emergiram como a principal potência mundial. Os empréstimos norte-americanos foram essenciais para que a Alemanha conseguisse garantir o pagamento das reparações e pudesse investir na reconstrução de infraestruturas. Além disso, várias empresas norte-americanas abriram fábricas na Alemanha, nas quais trabalhavam milhares de pessoas.

Ao longo da década, a situação foi melhorando e as economias pareciam recuperar lentamente, com as moedas nacionais a estabilizarem. A Alemanha conseguiu revitalizar a sua economia e, graças aos empréstimos norte-americanos, modernizou e racionalizou a indústria. O problema das reparações de guerra foi resolvido com um acordo que permitiu recalendarizar e aliviar o seu pagamento.

Síntese

  • A questão das reparações transformou-se num foco de tensão entre as potências.
  • A grave crise financeira do pós-guerra veio agravar as desigualdades sociais.
  • Os derrotados tiveram ainda de lidar com a ocupação, as enormes reparações impostas pelos vencedores, a perda de territórios, a desorganização da economia, a queda de regimes e a instabilidade política.
  • Os anos 20 ficaram marcados pela polarização das sociedades e pela violência política.

Temas

Ficha Técnica

  • Área Pedagógica: Caracterizar a situação económica e social europeia no após guerra. Explicar o fim da hegemonia europeia e o reforço da afirmação dos EUA como principal potência económica mundial.
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação dos Professores de História/ Cláudia Ninhos
  • Ano: 2021
  • Imagem: Conferência de paz em Versailles em 1919, Woodrow Wilson Presidential Library Archives