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Mafalda, a menina contestatária da banda desenhada

De dedo em riste, Mafalda questiona o mundo e as perguntas que faz deixam-nos a pensar e a rir. Porque esta menina de cabelo farto e negro é refilona, irreverente, perspicaz, pessimista, inteligente. Odeia sopa e adora os Beatles. Afinal, tem só seis anos.

As tiras de Mafalda não são para miúdos. Porque, nestas histórias construídas em quadradinhos, a menina de seis anos fala sobre assuntos de gente grande, com um discurso assertivo e incómodo. Preocupada com o futuro do planeta e defensora dos direitos das crianças, a personagem saiu da gaveta do seu criador em 1964 para se transformar numa heroína da banda desenhada.

Devemos esta pequena contestatária a um argentino de Buenos Aires, cartoonista e filósofo, Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido por Quino. No início dos anos sessenta foi-lhe encomendada uma tira cómica para publicitar eletrodomésticos. Sem poder imaginar o tamanho do sucesso, desenhou uma menina com farta cabeleira negra e os pais, uma típica família da classe média.

Mafalda nasceu a 15 de março de 1962, mas não estava destinada a vender artigos para o lar e foi recusada. Dois anos depois saltou para as páginas do semanário “Primera Plana”, a comentar os grandes temas da atualidade do seu país e do mundo. As perguntas que faz e as suas frases exemplares como “Parem o mundo! Quero sair.” ou “A sopa é para a infância o que o comunismo é para a democracia”, cativaram de imediato os leitores. Depressa é publicada em livros de capa grossa na América Latina, na Europa e noutros cantos do planeta, em crescente popularidade.

Nos anos seguintes, Mafalda ganha um irmão e novos amigos, personagens que se tornam também elas uma referência e que vão desafiar a inteligência da pequena refilona com preconceitos e conservadorismos: Susaninha, que tem como objetivo de vida casar com um homem rico, Manolito (Manuelinho, em português), que só pensa em fazer negócio na mercearia do pai, o tímido Filipe, o ingénuo Miguelito, a diminuta Liberdade, assumida revolucionária, filha de hippies. E uma tartaruga, apropriadamente chamada Burocracia.

Em julho de 1973, ao fim de mais de 3 mil tiras, Quino desistiu do universo Mafalda para evitar a rotina e poder dedicar-se ao desenho de humor e à caricatura. A menina só reaparece em algumas campanhas de beneficência e em desenhos animados mas nunca em filmes, porque o autor rejeitou sempre as propostas da indústria cinematográfica. Certo é que as emblemáticas  histórias continuam atuais e são constantemente reeditadas, servindo de leitura a sucessivas gerações. O  humor inteligente desta menina zangada com o mundo, chegou a Portugal em 1970. E por cá continua até hoje.

Ficha Técnica

  • Título: Literatura Agora
  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: RTP2 / até ao Fim do Mundo
  • Produção: até ao Fim do Mundo
  • Ano: 2015

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