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Norton de Matos em Angola

O general Norton de Matos foi dos mais importantes estrategas do colonialismo português durante a Primeira República. Conseguiu uma autonomia nunca vista para a administração de Angola, onde deixou, sobretudo, trabalho feito nas obras públicas. Defendia um regime racial do tipo apartheid e silenciou as primeiras vozes protonacionalistas da colónia.

Uma das figuras politicamente mais marcantes da primeira metade do século XX português, Norton de Matos foi, antes de oposicionista ao Estado Novo, um dos homens fortes da Primeira República. Maçon e militar, desempenhou funções ministeriais e diplomáticas. O seu currículo colonial é feito em Angola, como governador-geral (1912-1915) e, posteriormente, como alto comissário (1921-1924).

Desenhou, para a província ultramarina, um vasto e ambicioso plano de modernização de exploração colonial que passava por um regime de descentralização política, administrativa e financeira. Muito mais do que um delegado da metrópole, alcançou competências que o levariam ao cargo de alto comissário, criado especificamente para si, com poderes dos quais vai usar e abusar.

O mais visível que ficou da sua passagem por Angola foram as obras públicas: 23 mil quilómetros de estradas, bem como um importante incremento da rede ferroviária, criação e alargamento de portos, linhas telegráficas e estações de comunicação rádio. Quanto à ocupação territorial, defendia um povoamento massivo com brancos da metrólope. Planificou 600 aldeias só de população branca, num regime de separação total dos nativos negros.

É a primeira figura política a aludir à classificação de indígena na estratificação social, como alguém que tem um estatuto menor perante a lei e a sociedade. Abaixo do branco e do negro assalariado. Norton de Matos revela uma missão civilizadora da República em que defende que o trabalho educa e valoriza e é, por isso, obrigatório. Mas os contratos de trabalho que desenha para os nativos rapidamente se esfumam e o trabalho forçado reinstala-se e generaliza-se.

O “Calígula de Angola”, como ficou conhecido, foi ainda um braço fundamental para calar as primeiras vozes que se levantaram, na década de 1920, sobre a identidade nacional da colónia. Fechou jornais, mandou encerrar o Grémio e quer os protonacionalistas quer os brancos com ideias menos conservadoras foram presos e expulsos do território.

Ficha Técnica

  • Título: História a História África - Norton de Matos em Angola , episódio 4.
  • Tipo: Documentário
  • Autoria: Fernando Rosas
  • Produção: RTP / Garden Films
  • Ano: 2017

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