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A Estética
A Estética
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A Estética surge no século XVIII, marcando-se simbolicamente o ano de 1750 a partir da publicação de Estética por Alexander Baumgarten. Mas este século é igualmente marcado pela edição da Crítica da Faculdade do Juízo (1790), de Immanuel Kant. Porém, antes do Século das Luzes havia já uma tradição milenar de reflexão sobre o fenómeno estético. A própria etimologia do termo encontra-se no grego aisthesis, que se pode traduzir por sensação ou percepção. Já na Antiguidade Grega, filósofos como Sócrates, Platão ou Aristóteles haviam discutido os fundamentos do belo, questão que irá ocupar parte do pensamento estético do século XVIII em diante, sendo igualmente central na obra de Kant.

A definição da Estética enquanto domínio do conhecimento, destacando-se do tronco comum da Filosofia, situa-se geralmente no século XVIII. A fixação da Estética como uma disciplina autónoma acompanha um estatuto que neste mesmo período se irá estender em definitivo à arte no seu todo. Para balizar o surgimento da Estética no século XVIII é comum recorrer-se à datação simbólica de 1750, ano da publicação da Estética de Alexander Baumgarten (1714-1762), atribuindo-se-lhe a fixação do termo estética para esta área do conhecimento, pela maneira como defendeu a equivalência entre o pensamento racional e a chegada à verdade pelas sensações. Mas este século é igualmente marcado pela edição da Crítica da Faculdade do Juízo (1790), de Immanuel Kant (1724-1804). Neste livro, o filósofo aprofunda e sistematiza uma série de reflexões sobre a estética que vinha já efectuado, influenciando o pensamento posterior sobre arte no campo da estética e fora desta. 

Porém, antes do Século da Luzes havia já uma tradição milenar de reflexão sobre o fenómeno estético, ainda que apenas por remissão retrospectiva se possa englobar todo esse lastro histórico numa disciplina que, como se avançou atrás, apenas no século XVIII parece encontrar as condições para o seu estabelecimento. A própria etimologia do termo encontra-se no grego aisthesis, que se pode traduzir por sensação ou percepção. Já na Antiguidade Grega, filósofos como Sócrates (c. 469 a.C.- c. 399 a.C.), Platão (427 a.C. – 347 a.C.) ou Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) haviam discutido os fundamentos do belo. O primeiro defendera que o belo não podia ser discernido em nenhum objecto particular; por sua vez, Platão associará o belo, o bem e a verdade como transcendentes, afirmando-o assim como intangível e passível apenas de uma aproximação por via de um padrão discernível a partir de arquétipos. Aristóteles afastará de certo modo aquela noção de transcendência, uma vez que para si o ideal não poderia ser encontrado fora do homem.

Contudo, tanto para Aristóteles, como para Platão, existe uma semelhança na maneira como o primeiro associa o belo a noções de ordem e grandeza e, o segundo, a harmonia ou medida. De resto, com estes mesmos termos poder-se-ia definir em parte o belo clássico: harmonia e ordem, ritmo e simetria, juntando-lhe o decoro. E aqui radicará parte do pensamento sobre arte que ganhará fôlego a partir do Renascimento, nomeadamente por via do platonismo. Mas também parte do posicionamento de Nicolas Boileau (1636-1711) na Querela entre os Antigos e os Modernos, podendo fazer da tradição não exactamente um dogma, mas sim o caminho daquela aproximação ao transcendente de que falava Platão, que aqui se pode resumir pela experiência de séculos de debate e de apresentação de propostas artísticas. No mais, essa mesma tradição encontrava agora no exercício da razão e da ciência o seu fundamento, fosse por via da filologia ou da arqueologia, a título de exemplo. 

Mas naquilo que opunha Aristóteles e Platão, entre uma ideia de belo como transcendente ou como imanente do homem, pode traçar-se ainda uma ligação com a filosofia de Kant e a sua estética, pelo modo como este vai dirimir a oposição entre racionalistas e empiristas. Isto é, em síntese e respectivamente, entre uma chegada ao conhecimento sustentada pela razão e por categorias anteriores à experiência, por um lado, e de um saber construído apenas a partir das sensações, por outro. Assim, Kant vai respigar ao sensualismo inglês, de autores como Edmund Burke (1729-1797) ou Lord Kames [Henry Home] (1696-1782), ao empirismo que se focava na psicofisiologia e em algo comum a todo o ser humano, colocando então a tónica no gosto. E mantém do racionalismo a noção das categorias a priori que ordenam a razão, ainda que afastando a ideia de que é possível chegar ao conhecimento da realidade em si mesma.

O juízo estético depende assim da percepção do objecto e de um sentimento de prazer ou desprazer desinteressado. Sendo este subjectivo, o que se pode debater é o gosto, determinando-se desse modo o que é ou não belo. Porém, a consideração do que é belo não é algo intrínseco a um objecto, dependendo de um conhecimento e de uma ordem moral pré-existentes, articulando-se este entendimento com a imaginação, isto é, aquela faculdade que permite pensar o infinito a partir da contingência do finito. O pensamento estético relaciona-se então também com uma ideia de intuição que escapa ao racional, mas que sustenta a possibilidade de aferir a finalidade da natureza, fundamentando igualmente a noção de génio que irá marcar o pensamento sobre arte oitocentista. Por fim, o modo como Kant colocará a questão da reflexividade, isto é, da crítica como forma de questionar os próprios fundamentos da razão, será determinante para as práticas e teorias da arte que se lhe seguiram.

Síntese

  • A Estética surge no século XVIII, marcando-se simbolicamente o ano de 1750 a partir da publicação de Estética por Alexander Baumgarten.
  • Antes do Século da Luzes havia já uma tradição milenar de reflexão sobre o fenómeno estético, encontrando-se a etimologia do termo no grego aisthesis, que se pode traduzir por sensação ou percepção.
  • Na Antiguidade Grega, filósofos como Sócrates, Platão ou Aristóteles haviam discutido os fundamentos do belo, debate fundamental para a disciplina no século seguinte, sendo igualmente central na obra de Kant.

Temas

Ficha Técnica

  • Título: A Estética
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação de Professores de História/André Silveira
  • Ano: 2021
  • Imagem: Alexander Baumgarten