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Representação da superfície terrestre
Representação da superfície terrestre
Ensino:

Está na essência da Geografia compreender os fatores físicos que condicionam a organização espacial das atividades humanas e, inversamente, os fatores humanos que modificam o ambiente natural, levando a uma disrupção do seu equilíbrio. Estudar uma paisagem significa, assim, compreender a inter-relação entre diferentes variáveis, no próprio local através de observação direta ou, indiretamente, através das diversas formas de representar a superfície terrestre. Para além dos mapas, fotografias e imagens em suporte físico, destacam-se os sistemas de informação geográfica que permitem sobrepor digitalmente estes e outros conteúdos georreferenciados, e deste modo, estabelecer as correlações necessárias.

O globo (Fig.1) é a forma mais fiel de representar a realidade, pois evita distorções ao manter a posição e dimensão dos elementos. Já os mapas têm a vantagem da facilidade de transporte e arrumação, bem como a possibilidade de representação de partes da superfície terrestre e consequente análise mais pormenorizada da respetiva informação.

Fig.1 – Globo terrestre. PXHERE

Não obstante a maior ou menor deformação do território, em função do tipo de projeção cartográfica utilizada (cilíndrica, cónica, azimutal), os mapas são uma forma muito prática de conhecer toda ou parte da superfície terrestre, nomeadamente os mapas gerais, ou também designados de base (mapa topográfico, planta, planisfério, etc), na medida em que representam os elementos naturais e humanos estruturantes do território (limites administrativos, aglomerados populacionais, vias de comunicação, altitude, cursos de água, etc). Estes, por sua vez, servem de suporte à produção dos mapas temáticos (políticos, físicos, demográficos, económicos) nos quais a distribuição geográfica dos fenómenos é, geralmente, assinalada por símbolos, tramas ou manchas de cores. Paralelamente, e em função da escala, os mapas podem ser classificados em mapas de grande ou pequena escala, de acordo com o grau de pormenor e a maior ou menor extensão da superfície representada.

As fotografias aéreas, obtidas através de câmaras fotográficas instaladas em aeronaves, são uma forma muito fiel de representação da realidade, sendo muito úteis no apoio à produção da mais variada cartografia. De forma a corrigir as distorções geradas pelo ângulo de inclinação entre a câmara e a superfície terrestre, altitude e velocidade de deslocação da aeronave, são produzidos os ortofotomapas, ou também designados ortofotocartas (Fig.2). Estas formas de representação da superfície terrestre resultam de um processo de manipulação digital da fotografia aérea em que a perspetiva é anulada por efeito da projeção ortogonal criada. Tal correção permite representar a realidade sem deformações, tornando mais fiáveis as medições e consequente dimensão e localização dos elementos observados.

Fig.2 – Ortofotomapa de Cascais. GOOGLE EARTH

As imagens de satélite (Fig.3) são obtidas de forma remota a partir de sensores acoplados a satélites artificiais que registam a radiação eletromagnética natural emitida pela superfície terrestre. Esta forma de representação da superfície terrestre, associada aos dados disponibilizados por diversos sistemas de informação geográfica, permite obter indicações de áreas da superfície terrestre extensas, distantes e, por vezes, praticamente inacessíveis, de forma instantânea e em tempo real.

Fig.3 – Imagem de satélite, Península Ibérica (consultado em 06/12/2021). NESDIS/NOOA

À semelhança das fotografias aéreas, a análise de diversas imagens de satélite captadas em momentos temporais distintos, possibilita o acompanhamento da evolução espácio-temporal dos fenómenos e respetivos impactes no meio ambiente, bem como o elencar de medidas que possam mitigar os efeitos negativos ou maximizar os positivos. Neste contexto, e dada a altitude em que são obtidas as imagens de satélite, estas são, particularmente úteis, na previsão do estado do tempo através da monitorização permanente das condições da atmosfera (Fig.4).

Fig.4 – Ciclone Tropical Idai sobre o Canal de Moçambique mostra a tempestade varrendo a ilha de Madagascar, em Março de 2019. NOOA

Muitos destes recursos podem apresentar-se em suporte físico ou estarem disponíveis em formato digital, havendo uma infinidade de hipóteses de exploração dos dados georreferenciados que lhes estão associados (inquirição, visualização e análise das relações, padrões e tendências de distribuição espacial), sobretudo, recorrendo às ferramentas de seleção/filtro e sobreposição dos layers que os WebSIG, os chamados sistemas de informação geográfica online, permitem aceder (Figuras 5,6,7).

Fig.5 – Acesso ao site do Centro de Informação Geoespacial do Exército e consulta interativa à cartografia de base em função da escala e unidade territorial administrativa. CIGEOE

Neste contexto, é fundamental a escala de análise dos fenómenos, e de entre as vantagens destes sistemas, salienta-se a ferramenta zoom que permite produzir, instantaneamente, e de forma dinâmica e interativa, mapas que permitem observar a realidade com maior ou menor pormenor e medir as respetivas distâncias (Fig.8).

Fig.8 – Medição de distância através do visualizador de mapas do Sistema Nacional de Informação Geográfica. DGT

Esta propriedade é fundamental na caracterização e delimitação geográfica de muitos fenómenos que interferem nas ações de planeamento e ordenamento do território e que, por esse motivo, devem estar contemplados nos respetivos instrumentos de âmbito municipal, regional ou nacional (PDM, PP, PNPOT, etc). (Fig.9)

Fig.9 – Mapa interativo da Câmara Municipal de Loures. CML

SÍNTESE

  • As diversas formas de representação da superfície terrestre e respetivos instrumentos (globo, mapa, fotografia aérea, imagem de satélite, etc) permitem observar uma paisagem de forma indireta, isto é, sem que o observador se encontre presencialmente no local.
  • Os globos representam a realidade sem deformações, mas os mapas são mais práticos e podem apresentar a informação com maior pormenor quando representam uma parte e não a totalidade da superfície terrestre.
  • As fotografias aéreas e as imagens de satélite são muito úteis no apoio à cartografia e, captadas em diversos momentos do tempo, são muito importantes, respetivamente, no acompanhamento da evolução de grandes obras de engenharia ou de fenómenos atmosféricos potencialmente perigosos.
  • Os sistemas de informação geográfica online (WebSIG) permitem o acesso digital a muitos destes instrumentos e a consulta interativa por parte do utilizador. Mediante as ferramentas associadas a cada SIG (medição de distâncias, zoom, filtro de dados, sobreposição de layers, etc), o utilizador poderá fazer um estudo holístico do local, identificando e relacionando variáveis que explicam as dinâmicas territoriais observadas.
  • O estudo da paisagem e das forças que nela atuam é de extrema importância na elaboração dos instrumentos de planeamento e ordenamento do território no sentido de identificar os problemas, as causas e encontrar as soluções que satisfaçam as necessidades das respetivas comunidades.

Temas

Ficha Técnica

  • Área Pedagógica: Terra - Espaços Geográficos e Suas Representações
  • Tipologia: Explicador
  • Autoria: Associação de Professores de Geografia
  • Ano: 2021
  • Imagem: Globo terrestre, Pete Linforth / Pixabay