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Bolotas, do chão para a mesa

Há indícios de que a bolota já fazia parte da ementa dos primeiros habitantes da Península Ibérica. Foi sendo substituída e só regressou às mesas de Portugal, entre os mais humildes, na época dos racionamentos alimentares, na segunda guerra mundial. Apesar de ser considerado, pelas suas propriedades, um "superalimento", fato é que, até hoje, a bolota é vista pela maioria só como a comida para os porcos. Mas o futuro parece estar a desenhar-se com base no passado.

Rica em fibra, com um perfil de lípidos próximo ao do azeite e sem glúten, a bolota revela-se também um alimento robusto em compostos antioxidantes. Os estudos e experiências realizados incluem os produtos que podem chegar à mesa, mas também à cosmética. Por exemplo, o uso em cremes anti-envelhecimento ou cicatrizantes, precisamente devido às ricas e variadas propriedades deste fruto silvestre que era no passado descrito como o “alimento dos homens invencíveis”.

Nas zonas norte e centro do país temos a bolota de carvalho, nas beiras e no alentejo as da azinheira, e nas serras algarvias e litoral alentejano os montados de sobreiro fornecem outra variedade. São quercíneas de alto valor acrescentado na classificação das superfícies agro-florestais. O fruto, cai ao chão, envolto em casca, e o que não é comido pelos porcos fica no próprio solo a enriquecê-lo ou acaba devorado por insectos.

Mas uma nova semente está ser lançada, com base no passado: conceitos alimentares mais próximos ao que a terra dá, bem como cuidados ambientais associados à agricultura sustentável e à indústria alimentar fazem com que os portugueses voltem a olhar com uma perspectiva mais positiva para as bolotas.

Além da farinha para fazer pão e bolos, há já café de bolota (na verdade não é café, pois não tem cafeína, mas assim se designa por ser semelhante), bebidas frias, esparguete de bolota e doces de sabor amadeirado. A bolota da azinheira é considerada, das três variedades, a mais doce e a do carvalho a mais amarga.

A bolota vem provar que do pouco muito se pode fazer. Dar-se uso a um produto que a floresta autóctone oferece. Voltar a uma alimentação mais ligada à natureza e a uma dieta sustentável e valorizar um fruto que foi posto de lado por questões de ordem social, ligado historicamente à pobreza sendo, para o corpo humano, um rico alimento perfeitamente enquadrado na dieta mediterrânica.

Ficha Técnica

  • Título: Biosfera - Bolota
  • Tipo: Programa
  • Produção: Farol de Ideias
  • Ano: 2019

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