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Maria Isabel Barreno apresenta-se com biografia breve

Acumula poemas na gaveta, mas não os publica. A prosa serve melhor a Maria Isabel Barreno para dizer o que precisa. Como ter uma escrita transgressora e defender os direitos das mulheres em plena ditadura. É uma das três autoras das Novas Cartas Portuguesas.

Primeiro, a leitura, descoberta precoce motivada por doença aos seis anos. Depois, com os livros ancorados aos dias, tem a necessidade de se “libertar pela palavra” e começa a fazer poemas – até hoje – que guarda para si. Na idade adulta manifesta vocação para os romances. Antes publica trabalhos de investigação sociológica, contos na imprensa, até que em 1968 escreve “De noite as árvores são negras”, um sucesso. Seguem-se “Folhetim de ficção filosófica” e “Os outros legítimos superiores”.

Os seus romances são diferentes, quer pelos temas, quer pelo discurso narrativo pautado pelo ritmo dos pensamentos, aparentemente desordenado mas seguramente inovador e transgressor em comparação à novelística portuguesa produzida na época. Um estilo “assimétrico e meditativo” que desenvolve numa obra coerente, em mais de 20 títulos publicados e premiados.

Maria Isabel Barreno nasce em Lisboa, em 1939. Vive quase 35 anos na ditadura, numa sociedade repressora que condicionava a mulher, negando-lhe direitos básicos de realização e de afirmação enquanto ser humano. Militante da causa feminina, envolve-se em movimentos de “libertação” da mulher. Em 1972, com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, inicia a aventura de  “Novas Cartas Portuguesas”, obra proibida pelo regime, que vai ser o epicentro de um escândalo nacional e internacional  conhecido como “o caso das três Marias”.

A autora, para quem o 25 de Abril foi o acontecimento mais importante da sua vida, considera que o tumulto provocado por esta publicação contribuiu para que a Constituição da República de 1976 consagrasse” a igualdade absoluta de direitos para homens e mulheres”.

Ficha Técnica

  • Título: Ler+ ler melhor - Maria Isabel Barreno
  • Tipo: Extrato de Magazine Cultural
  • Produção: Filbox produções
  • Ano: 2011

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