Planeta A
Água, uma fonte de desequilíbrios
Ensino:

Parece correr das torneiras como se não tivesse fim, mas é urgente reduzir o caudal. O dia para a água acabar foi anunciado, em 2018, na África do Sul. O mesmo pode acontecer em outras zonas de um mundo cada vez mais dividido entre áreas de grandes secas e de fortes inundações. O cultivo intensivo, com o planeta cada vez mais quente, pode levar a que a água seja o ouro do futuro - difícil de encontrar e acessível a poucos.

A sua importância é de caráter elementar, por isso, a disponibilidade de água para todas as pessoas integra, desde 2010, a lista de direitos humanos das Nações Unidas: – “O acesso à água potável e ao saneamento básico é um direito humano essencial, fundamental e universal, indispensável à vida com dignidade e reconhecido pela ONU como condição para o gozo pleno da vida e dos demais direitos humanos”.

É um bem essencial à vida, no entanto, mais de duas mil pessoas morrem, a cada dia, por falta de água e de saneamento. Tratando-se de um recurso que escasseia, o seu uso desmesurado e o desperdício, em particular na agricultura, bem como as alterações que se verificam no clima, condicionam a sua disponibilidade no futuro. Em forma de circuito fechado, o ciclo da água desenrola-se cada vez mais com maior rapidez à medida que o planeta aquece, daí os fenómenos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

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Em 2018, após uma grande seca, a Cidade do Cabo, na África do Sul, esteve muito perto do “Dia Zero” – o dia em que se tornaria a primeira grande cidade mundial a perder o acesso à água canalizada. Foi com medidas de controlo apertadas que a desgraça iminente foi contida. Desde então, criaram-se infraestruturas para combater o problema e os habitantes adaptaram-se a novas formas de estar, sacrificando confortos pessoais em prol do bem de toda a comunidade.

É sabido que a agricultura é o maior sorvedouro de água. Em termos de extração, chega aos 70 por cento do total. Desta, mais de metade é desperdiçada. Em Portugal, podemos encontrar diversas iniciativas para reduzir seu consumo. Por exemplo, no Baixo Alentejo, em Beja, onde o solo é extremamente árido, é com águas residuais tratadas que se desenvolvem, com sucesso, pomares de romãs. Ou ainda, não muito longe, em Mértola, podemos encontrar defensores da agricultura sintrópica – uma abordagem de produção regenerativa, com base na retenção de água conseguida pelas próprias plantas.

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Num país com grandes assimetrias na distribuição de chuva, a pegada hídrica dos portugueses é das maiores de toda a Europa: quase 60 mil litros por cada pessoa em consumo doméstico. Se juntarmos a isto os gastos de água para alimentação e vestuário, é notória a necessidade de uma nova estratégia de consumo. Mas o problema é global. Enquanto em algumas zonas do mundo se reavalia a rega dos campos de golfe, em outras, continuam a viver milhões de pessoas que partilham fontanários e casas de banho públicas.

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Ficha Técnica

  • Título: Planeta A - episódio 9, Água
  • Tipologia: Documentário
  • Autoria: RTP e Fundação Calouste Gulbenkian
  • Produção: Até ao Fim do Mundo
  • Ano: 2022