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Azeite, o tempero de Portugal

A produção de azeite, em Portugal, conhece nas primeiras décadas do século XXI uma fase sem precedentes na sua história. Dois mundos que parecem entrar em oposição: por um lado, os olivais tradicionais, por outro, os intensivos, introduzidos no país por empresários espanhóis, em particular na área de perímetro de rega de Alqueva. Um modelo que parece ter vindo para ficar e que permitiu que as exportações de azeite chegassem ao topo dos países da União Europeia.

As regiões de Trás-os-Montes e do Alentejo representam as duas faces da olivicultura portuguesa, numa altura em que a qualidade do azeite tem revalorizado a imagem do mundo rural. Importa agora conhecer, saber provar, distinguir as variedades regionais de azeitona, como a galega, a cordovil, a cobrançosa, a verdeal, entre outras. Neste documentário propomos uma viagem pelo interior do país, onde encontramos os azeites classificados DOP (denominação de origem protegida).

É uma denominação atribuida pela União Europeia aos azeites nacionais desde 1996. Uma certificação de qualidade que tem por base as características do clima, do solo, as espécies de oliveira e os processos de produção de cada região. Atributos que valorizam os produtos a nível mundial, certificando-os como inigualáveis e aumentando assim também o prestígio das suas zonas de origem.

Portugal difere nos seus azeites nas regiões de Trás-os-Montes, Beira Alta, Beira Baixa, Ribatejo, Norte Alentejano, Alentejano Interior e Moura, onde existe a maior cooperativa nacional de olivicultores. Mas afinal como se distingue um azeite? Pela acidez, pelo aroma, pelo sabor que pode ser mais frutado, amargo ou picante. Não tanto pela cor, como antigamente, por isso hoje as provas são feitas em copos escuros.

Portugal sempre dependeu das importações para ter azeite no prato. Tem hoje um nível de autossuficiência que chega a superar os 150 por cento, fruto da monocultura instalada no Alentejo, com mais de três quartos da produção nacional. Onde antes se viam campos secos ou sementeiras de cereais, há hoje uma paisagem coberta por extensos olivais intensivos ou mesmo superintensivos.

Os primeiros vestígios da presença da oliveira em teritório luso datam da idade do bronze e foi em Évora lavrada a primeira regulação do ofício de lagareiro, em 1392. No século XIX o azeite nacional começa a ser premiado no estrangeiro e durante praticamente todo o século XX os processos de apanha da azeitona foram manuais e os lagares semi-mecanizados. Só com o virar do milénio chegaram os lagares totalmente industriais, tal como as respetivas exigências de qualidade.

Ficha Técnica

  • Título: DOP azeite
  • Tipo: Documentário
  • Autoria: Anabela Saint-Maurice
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016

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